Vêm aí, Emirados Árabes, Coréia do Sul, Índia, Cingapura e África do Sul

liviooricchio

05 de março de 2007 | 21h28

Aos poucos a Fórmula 1 vai mudando o seu cenário de exposição. Do total de 17 etapas este ano, nove são ainda no continente europeu, considerando-se a Turquia uma nação do Velho Mundo, ainda que o autódromo Istambul Park esteja no lado asiático do país. Mas pode mudar. Novos mercados estão próximos de serem inseridos no calendário.

Enquanto as equipes realizam os últimos preparativos para despachar os equipamentos para Melbourne, onde dia 19 será disputada a etapa de abertura do Mundial, Bernie Ecclestone, o promotor da Fórmula 1, atende telefonemas, recebe delegações, encomendas, presentes, estuda propostas e visita nações interessadas em fazer parte do campeonato regular de maior exposição no mundo.

O que já está certo é que Emirados Árabes e Coréia do Sul receberão a Fórmula 1 até 2010. Mas hoje a imprensa de Cingapura publicou que, em breve, Ecclestone irá anunciar a inclusão da cidade-estado no Mundial já a partir do ano que vem. As negociações estavam adiantadas, não é segredo. Deve mesmo ser verdade. Um circuito de rua. Fala-se até que será de noite, o que na Europa seria à tarde.

O projeto explícito de Ecclestone e Max Mosley, presidente da FIA, é chegar a 20 corridas por temporada. Há grande resistência das equipes. Já ouvi de Ron Dennis, homem-forte da McLaren, naqueles encontros que realiza com a imprensa no fim da tarde de sábado: “Mostramos já para o senhor Ecclestone a inviabilidade prática de disputarmos 20 etapas por ano.”

Também é fácil saber dos integrantes das escuderias as enormes dificuldades logísticas e o cansaço físico intenso proporcionado, sem falar no investimento necessário: “É preciso contar com mais gente na equipe. Estamos disputando o campeonato, há uma grupo que se preocupa apenas com os testes, outro no desenvolvimento do carro e um ainda destinado ao carro do ano seguinte”, explicou Ron Dennis.

Mas penso que a argumentação dos representantes das equipes, mesmo procedente, não servirá para impedir de o calendário crescer com mais etapas. E fora da Europa. India, com certeza, ganhará o seu GP. A nação tem mais de 1 bilhão de habitantes, é depois da China a economia mais emergente do mundo, e existe enorme interesse do próprio governo em receber a Fórmula 1. A “Nova Índia” seria uma grande vitrine para o mundo.

Os proprietários das escuderias, em geral montadoras, ou ainda os patrocinadores, desejam expor seu produto, a Fórmula 1, num mercado com o da Índia. Já foram para a China. A Índia seria a próxima na escala de prioridades. Fora ainda do eixo da Europa há a África do Sul. A Cidade do Cabo está prestes a levar um projeto fechado para Ecclestone. E o dirigente não tem seu evento na África. Aposto no êxito da iniciativa, se séria como parece.

O que mais dá garantias ao promotor é que os responsáveis pelos projetos são os próprios governos, sejam eles local, estadual ou federal, mais ou menos isso, depende da forma de organização do país. Não estão interessados em lucro. Seu objetivo é divulgar a modernidade, a viabilidade de se investir nessas nações. Num mundo cada vez mais globalizado, receber capital externo representa uma fórmula rápida de crescimento.

Não é por outra razão que China, Turquia, Bahrein, exemplos recentes de inserção do calendário, jogaram pesado para ter a Fórmula 1. Construíram autódromos que criaram nova referência no automobilismo, tornou obsoleto quase tudo o que já existe, e pagam uma taxa, a conhecida promotor fee, assustadora. A China coloca na conta bancária da Formula One Management (FOM) nada menos de US$ 36 milhões por edição da prova.

Você que gosta de ir aos autódromos assistir às corridas ou acompanhá-las pela TV, comece a se prepapar para mudar um pouco sua rotina de dormir nos fins de semana de GP. Terá de ir para a cama bem mais tarde. As largadas de madrugada serão mais comuns.

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