Vettel: "Eu não sou Schumacher"

liviooricchio

21 de agosto de 2009 | 06h18

21/VIII/09
GP da Europa
Livio Oricchio, de Valência, Espanha

A aposentadoria de Michael Schumacher, no fim da temporada de 2006, deixou os alemães tristes e apreensivos. Quanto tempo demoraria para surgir outro representante da nação capaz de dar sequência ao trabalho excepcional de Schumacher, sete vezes campeão do mundo? Os alemães se surpreenderam ao compreender, já no campeonato seguinte, que Sebastian Vettel poderia ser o piloto. Este ano, pela Red Bull, Vettel, de apenas 22 anos, confirmou seu imenso potencial: pode ser campeão do mundo.

Hoje esse sempre acessível profissional começa sua preparação para o GP da Europa, no circuito de Valência, na Espanha, sob calor arrasador. Junto de Jenson Button e Rubens Barrichello, da Brawn GP, e seu companheiro, Mark Webber, vão lutar pelo título mundial nas sete etapas que restam do calendário. Ele é o menos experiente. “Quem é mais experiente que eu?”, questiona, contra-atacando. “Não me lembro de nenhum deles lutando pelo campeonato”, explica. Vettel é sempre assim: nunca se sente numa posição de inferioridade em relação aos concorrentes.

“Viemos da mesma escola, kart, Fórmula 3, passamos já pela situação de podermos ser campeões. Ok, Fórmula 1 é diferente, mas não me assusta”, afirma, com enorme autoconfiança. Já venceu duas vezes este ano, na China e na Inglaterra. Caso se apresente para a corrida de Interlagos, dia 18 de outubro, com possibilidades matemáticas de ser campeão, poderá ter apoio de parte importante da torcida. “Adoraria. São Paulo tem um grande circuito. Ano passado disputei grande prova lá, tive enorme impacto no resultado do Mundial por alguns instantes, mas somente realizava meu trabalho.”

Ao ultrapassar Lewis Hamilton, da McLaren, nas voltas finais, fez com que Felipe Massa, da Ferrari, primeiro colocado, fosse campeão se o inglês não tivesse deixado para trás o alemão Timo Glock, da Toyota, na última curva, Junção, na última volta, o que acabou por lhe garantir o título.

Não demonstra irritação ao ser comparado com Schumacher, mas dá a entender não gostar. “Seja quem for que estiver lutando pelas primeiras colocações e for alemão sempre será associado a Michael. E eu não sou Michael.” Mostra até certa indiferença ao que a nação espera dele: “O importante para mim é acelerar o carro o máximo possível, que sempre foi meu sonho”.

Ferrari e McLaren são as equipes de maior sucesso na história da Fórmula 1. Não lhe passa pela cabeça, no entanto, aceitar o convite das duas que, com certeza, o receberiam de portas abertas. “Venci o primeiro GP da Toro Rosso (ano passado, em Monza), o primeiro da Red Bull (nesta temporada em Xangai), sou apoiado pela Red Bull desde 1999, quando era um menino, no kart, e estamos na frente, não há razão para fazer uma loucura”, explica.

O genial projetista da Red Bull, Adrian Newey, precisou da mudança radical do regulamento, este ano, para produzir um carro vencedor. Mas em 2010 o fim do reabastecimento de gasolina representa outro desafio grande de engenharia. “Não acredito que perderemos a vantagem técnica que conquistamos hoje, confio que nosso grupo de trabalho construirá outra grande carro”, diz Vettel. Mas se a Red Bull começar a ficar para trás em relação aos adversários, avisa: “Preciso do desafio de lutar pelo título, preciso dispor de um carro capaz de me permitir disputar as vitórias”.

Já Luca Badoer, substituto de Felipe Massa na Ferrari, parecia, ontem, na pista espanhola, que não vai começar a participar, hoje, da sua primeira prova de Fórmula 1 desde 1999. “Li na imprensa que meu último GP foi no Japão há dez anos. Não me lembrava”, afirmou. Está encarando o fim de semana como se fosse a sequência de seu trabalho como piloto de testes da Ferrari. “Para mim será como outra sessão. Vale lembrar que já fiz 150 mil quilômetros em testes.”

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