Vettel, excepcional em Monza

liviooricchio

14 de setembro de 2008 | 18h48

Reportagem de F-1: Vettel, excepcional em Monza
GP da Itália
Livio Oricchio, de Monza

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“É inacreditável, nunca vou esquecer este dia, o mais feliz da minha vida. Eu nunca vou esquecer aquela imagem da torcida, embaixo do pódio, minha equipe, minha família, todos lá”, disse Sebastian Vettel, supertalento da nova geração da Fórmula 1, ao lado de Robert Kubica e Lewis Hamilton, todos já vencedores e bem jovens. “Quando ouvi o hino da Alemanha e depois o da Itália, quase chorei.”

Vettel é da equipe Toro Rosso, que até o fim de 2005 chamava-se Minardi, a mais modesta da competição. “Recebemos a ajuda do Centro de Tecnologia da Red Bull, somos em cerca de 160 pessoas, em Faenza, e todos podem hoje dormir com essa sensação de já terem vencido na Fórmula 1”, afirmou Vettel. De 1985 a 2005 a Minardi não conseguiu. “Não teve problema algum no carro e elogiou a evolução da equipe: “Os pit stops foram perfeitos. Nós tínhamos dificuldades, perdíamos tempo nessas operações.”

Os números também expressam com fidelidade o que a Fórmula 1 ganhou com a competência e simplicidade de Sebastian Vettel: ontem tornou-se o mais jovem piloto da história a vencer um GP, aos 21 anos e 2 meses. Deixou para trás ninguém menos de Fernando Alonso, que em 2003 ganhou na Hungria com 22 anos.

Sábado, em Monza ainda, Vettel passou a ser o mais jovem a estabelecer uma pole position. De novo Alonso foi a vítima, que na Malásia, em 2003, tinha 21 anos e 7 meses. Não acabou: o jovem alemão já liderava o ranking de precocidade de marcar pontos na Fórmula 1, ao ser oitavo no GP dos EUA de 2007, com 19 anos e 11 meses. Superou Jenson Button, que aos 20 anos e 2 meses pontuou pela primeira vez no GP do Brasil de 2001.

O sucesso de Vettel é o sucesso de dois profissionais experientes também que, com orçamento que em nada lembram os de Toyota e Honda, por exemplo, já venceram, agora, na Fórmula 1, depois apenas de dois anos e meio na direção da escuderia: Gerhard Berger, sócio e diretor da Toro Rosso, e Giorgio Ascanelli, o diretor-técnico, que já foi engenheiro de pista de Nelson Piquet e Ayrton Senna.

“É difícil aceitar que Vettel não estará conosco ano que vem, mas faz sentido, a Red Bull permitiu que ele chegasse até aqui”, comentou Berger. O piloto alemão vai para a Red Bull. Já Ascanelli se lembrou da última vitória em Monza. “Eu trabalhava na Ferrari, em 1988. Coincidentemente, a conquistamos com Berger.”

Vettel citou Ascanelli como uma das razões do crescimento da Toro Rosso: “Ele redimensionou nosso time, todos trabalham altamente estimulados.” Ascanelli comentou: “Apenas os fiz ver que eram capazes de produzir muito mais.” Havia uma mentalidade que remontava, ainda, ao tempo da Minardi, em que se classificar atrás era normal, explicou o engenheiro.
FIM

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