Vettel, invencibilidade à la Schumacher

liviooricchio

12 de abril de 2011 | 00h24

11/IV/11

Livio Oricchio, de Kuala Lumpur

  Antes de iniciar a entrevista com os três pilotos que foram ao pódio, domingo, no autódromo de Sepang, o coordenador da FIA disse a Sebastian Vettel, da Red Bull, o vencedor: “Parabéns, Seb, pela quarta vitória seguida”. O jovem alemão, primeiro colocado nas duas etapas disputadas este ano, Austrália e Malásia, fez cara de não entender. “É? não fiz as contas.” O atual campeão do mundo e líder destacado do campeonato vive um momento tão especial que já é comparado pela torcida a outro alemão: Michael Schumacher.

  Vettel vem mesmo de quatro vitórias seguidas na Fórmula 1. Ganhou no Brasil e em Abu Dabi, provas finais no ano passado, conquistou o título, e agora as duas primeiras também. Mas não fosse o motor quebrar na corrida da Coreia do Sul, antes de Interlagos, seriam na realidade seis vitórias seguidas, pois na etapa anterior à da Coréia do Sul, em Suzuka, no Japão, também deu Vettel.

   Em resumo: desde o dia 10 de outubro de 2010 que esse jovem de 23 anos, tão simples e sincero quanto competente, vem sendo visto, em especial pela torcida alemã, como eventual sucessor de Schumacher, por reunir muitas das suas qualidades técnicas, mas com algumas vantagens: começou a vencer os mundiais mais cedo, sugere ser mais maduro, não erra mais, e está na melhor equipe da Fórmula 1, onde trabalha o gênio de engenharia da competição, Adrian Newey. Não acabou: renovou seu contrato com a Red Bull até o fim de 2014 porque Newey lhe garantiu que também não sai.

  Na mesma entrevista da FIA, domingo, Jenson Button, da McLaren, segundo colocado, lembrou a Vettel: “Você já está 24 pontos na minha frente (50 a 26)”. Mais uma vez o piloto da Red Bull demonstrou surpresa: “Você faz rápido as contas, hein? Eu não pensei nisso ainda. Aliás, estou procurando não ler nada desde Melbourne”. Essa é sua tática, e pelo visto eficiente: isolar-se.

  Durante a corrida de Abu Dabi, no ano passado, necessitava vencer e torcer para Alonso se classificar de quinto lugar para trás para ser campeão. “Não fui informado pelo meu engenheiro do andamento da prova. Focalizei meu trabalho na pilotagem para vencer a corrida”, contou. “Depois da bandeirada, meu engenheiro falou pelo rádio que talvez desse certo, referia-se a ser campeão, e de repente ouvi ‘ok, ok, ok’. Por isso fiz aquela festa, não estava pensando no assunto”, contou o alemão.

  Apesar de todos os predicados e excelentes perspectivas, o caminho ainda é longo para Vettel se aproximar das marcas estatísticas de seu ídolo, Schumacher. A analogia está mais, por enquanto, no coração do torcedor alemão. No quesito de vitórias seguidas, por exemplo, Schumacher tem uma série de sete, todas em 2004. O líder do ranking é Alberto Ascari, da Ferrari, que entre 1952 e 1953 venceu nove GPs na sequência.

   Mas o que mais será muito difícil para Vettel até mesmo igualar será o número de títulos, onde o atual piloto da Mercedes, aos 42 anos, reina absoluto: sete. No ranking da precocidade, contudo, Vettel já faz parte da história: o mais jovem a ser campeão do mundo, a vencer um GP, a chegar no pódio, a marcar pontos e a estabelecer pole position.

 A partir de sexta-feira, Vettel e Schumacher voltam às pistas, no primeiro treino livre do GP da China, terceira etapa do campeonato. Faz frio em Xangai, diferentemente da Malásia.

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