Vettel, legítimo campeão

liviooricchio

14 de novembro de 2010 | 18h55

14/XI/10

Livio Oricchio, de Abu Dabi

Não fosse a quebra do motor no GP da Coreia do Sul, dia 24 de outubro, quando liderava, antes de a Fórmula 1 ir a Interlagos, onde ganhou, Sebastian Vettel teria vencido as quatro últimas etapas do campeonato. Assim, ficou em primeiro em Suzuka, pulou Coreia, e nas duas seguintes, Brasil e ontem, aqui em Abu Dabi.

 Atropelou na hora certa. Conseguiu unir seu talento com constância, que lhe faltava. Somemos a essa arrancada sensacional suas dez pole positions nas 19 provas do calendário. O que estou querendo dizer é que o título está nas mãos do piloto mais veloz do ano. Portanto, Vettel é um legítimo campeão.

É também verdade que colecionou erros. Mas tem 23 anos, esta foi sua terceira temporada completa e a segunda num time vencedor. Há atenuantes de várias naturezas para compreender seus equívocos. O importante é que evoluiu muito no final.

O que o Mundial que acabou ontem deixou também como mensagem é que, por vezes, ordens de equipe jogam contra os seus interesses. Poucos entenderam, dentre eles eu, por qual razão a direção da Red Bull não orientou Vettel deixar Webber vencer o GP do Brasil. Seria uma dobradinha da mesma forma e Webber ficaria a 1 ponto de Alonso, na classificação, e não 8, como aconteceu.

 Mas se a Red Bull tivesse seguido esse raciocínio lógico, Vettel teria somado 18 pontos em Interlagos e não 25. Resultado: ontem não teria sido campeão do mundo.

 Confesso ser defensor de ordens de equipe, em determinadas circunstâncias, como a do GP do Brasil, a duas etapas do encerramento. Tudo o que se passou em Abu Dabi, ontem, porém, no mínimo me fará refletir sobre a real validade dessas decisões, quase sempre polêmicas.

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