Vitória dá vida nova a Massa no campeonato

liviooricchio

06 de abril de 2008 | 17h26

06/IV/08
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

A vitória no GP de Bahrein seria o único resultado que, de verdade, resgataria a credibilidade da torcida e até da Ferrari na capacidade de Felipe Massa lutar pelo título este ano. E não é que diante de condições difíceis, ontem, por estar sob enorme pressão, ganhou com autoridade a prova no circuito de Sakhir? Com 10 pontos diante de 19 do novo líder do campeonato, Kimi Raikkonen, seu companheiro na Ferrari e segundo ontem, Massa mostrou, finalmente, suas armas.

A corrida começou muito bem para ele. Superou o pole position, o ótimo Robert Kubica, da BMW, convincente terceiro colocado, ontem, e impôs seu ritmo do início ao fim, como gosta e se dá bem. Quando se imaginava que a história do GP da Malásia, disputado há duas semanas, poderia se repetir, já que Raikkonen, ainda na terceira volta ultrapassou Kubica e assumiu o segundo lugar, Massa acelerou ainda mais e não permitiu o ataque. O finlandês ultrapassou o brasileiro no primeiro pit stop em Sepang.

“Fiz a corrida toda em cima dele. Meu engenheiro me passava o seu tempo de volta e a nossa diferença. As vezes que ele virava mais rápido eu aumentava meu ritmo para manter essa diferença”, explicou Massa, dizendo-se aliviado com a vitória. “Vivi semanas difíceis, mas não as mais desgastantes.” Massa cometeu erros na etapa de abertura, na Austrália, e uma semana depois na Malásia. “Quando me dispensaram da Sauber (fim de 2002) e quando vim para a Europa e em determinado momento tinha dinheiro para apenas mais uma corrida (na Fórmula Renault, em 2000) foi pior”, explicou, em oposição a sua alegria: “Hoje é um dia sensacional”.

Curiosamente revelou não ter enfrentado um superdesafio: “Pilotei num ritmo um pouco abaixo do que poderia para não errar, foi até chato”, falou. O fato de estar nos 5.412 metros do traçado barenita ajudou. “Amo esse circuito”. Enquanto Raikkonen reclamou do acerto da sua Ferrari, Massa disse que seu carro esteve perfeito o tempo todo. “Fácil de pilotar, veloz. Isso é o mais importante, sei que tenho um carro fantástico, confiável. Espanha e Turquia são ótimos circuitos para nós.” Massa venceu as duas próximas provas, em 2007, Barcelona e Istambul.

Um detalhe, mas um detalhe que pode ser ter sido decisivo no andamento da competição no fim de semana: sexta-feira, Massa e seu engenheiro, Rob Smedley, mudaram a relação de marchas, por levar em conta o forte vento que sopra no deserto de Sakhir, próximo a Manama, a capital de Bahrein. A medida permitiu melhor aproveitamento do motor.

Kimi Raikkonen e seu engenheiro, Chris Dyer, optaram por prosseguir com o acerto original. Quando viram que a solução de Massa era bem mais eficiente, não dava mais para adotá-la em razão de, este ano, as equipes terem de repassar aos comissários, sexta-feira depois do treino livre, a relação de marchas utilizada. E não podem mais alterá-la. Raikkonen em nenhum instante teve sua Ferrari no mesmo nível da de Massa, como contou. Parte dessa diferença de desempenho se deve a isso, segundo uma fonte.

A vitória de ontem foi a sexta na carreira de Massa, segunda consecutiva em Bahrein, a 100ª da Ferrari desde que Luca di Montezemolo se tornou presidente, em 1992, e a de número 203 na história de 761 GPs da equipe. Todas as escuderias treinam, agora, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, de segunda a quinta-feira, onde será disputada a quarta etapa da temporada, dia 27.

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