Vitória de Vettel não significa volta da hegemonia da Red Bull

liviooricchio

29 de agosto de 2011 | 15h16

29/VIII/11

Livio Oricchio, de Spa

  Amigos:

  Tive um problema no meu laptop, ontem à noite na sala de imprensa de Spa, que me impediu de inserir posts no blog, até mesmo os textos já prontos que enviei ao jornal. Não é a primeira vez que meu Dell Latitude 630 trava e me deixa na mão. Este ano, no GP da China, nem mesmo os engenheiros de informática da Renault deram um jeito. Agora, em casa, em Nice, consigo resgatar os textos e disponibilizá-los aqui. Faltou um Diário de Bordo II. Culpa dos meus amigos da revista Autosport japonesa, para quem produzia muito, reduzi, mas nesse fim de semana atendi a um pedido especial deles. Não sobrou tempo para muita coisa.

O texto a seguir é o da minha coluna, hoje, no Jornal da Tarde.

Obrigado.

  O diretor-técnico da Mercedes, Ross Brawn, disse ao Estado, na Hungria, que a pista de Spa-Francorchamps não era a ideal para a Fórmula 1 compreender como deverá ser o andamento do campeonato, “por ser bastante favorável aos carros da Red Bull”. De fato, Sebastian Vettel e Mark Webber, a exemplo do que fizeram no circuito Istambul Park, estabeleceram ontem uma dobradinha.

  Como já escrevi, o trabalho da Red Bull é tão extraordinário que seria injusto se, por um milagre, Vettel perder o título de pilotos e o time o campeonato de construtores. Por méritos, a conquista deve ser deles. Mas a Fórmula 1 também é um esporte. Não como primeira definição, mas há nela, sim, atividade esportiva. E é natural que quem se interessa pela competição deseja entender o que vem por aí.

  Apesar da vitória de Vettel e o segundo lugar de Webber, ontem, não apostaria que nas demais sete etapas do campeonato assistiremos a novas vitórias seguidas, sem maiores concorrentes, como no início da temporada.  O ritmo da Red Bull ontem foi superior a todos, como não ocorreu nas três etapas anteriores, Grã-Bretanha, Alemanha e Hungria.

  Teve a ver com o avanço do modelo RB7-Renault, sem dúvida, promovido pelo grupo coordenado por Adrian Newey, mas penso que muito também com o que me disse Brawn em Budapeste: a natureza do traçado, com várias curvas velozes e longas, compõe cenário perfeito para o refinado projeto aerodinâmico de Newey.

  Dessa forma, já em Monza, dias 9, 10 e 11, acredito que McLaren e Ferrari sejam adversárias da Red Bull como foram em Silverstone, Nurburgring e Hungaroring. Quando chegarmos a Suzuka, dia 9 de outubro, 15.ª etapa do Mundial, faz sentido acreditarmos em nova vantagem de Vettel e Webber, como vimos ontem, também por causa do traçado.

  Não estou seguro de que Jenson Button pudesse desafiá-los, como afirmou depois da bandeirada, se tivesse largado mais na frente do grid (largou em 13.º). Sua McLaren apresentou desempenho que o levou ao pódio, terceiro. Poderia, talvez, lutar com Mark Webber pelo segundo lugar, mas seria surpreendente vê-lo bater Vettel, um piloto capaz de explorar melhor o potencial do modelo RB7.

  Mudando de assunto, questiono-me, como muitos brasileiros, a performance de Felipe Massa ultimamente. Todas suas justificativas para explicar, por exemplo, as dificuldades para ultrapassar parecem procedentes. Mas essas dificuldades Fernando Alonso também as tem e não se manifestam na mesma intensidade.

  Por exemplo: por que Nico Rosberg costuma permanecer a sua frente enquanto Alonso, com o mesmo carro, descobre formas de ultrapassá-lo? Nunca escondi que considero Alonso um piloto mais completo de Massa, um dos maiores da história, e os números ratificam a avaliação, mas não a ponto de justificar tamanha diferença.

  A postura de Massa sugere experimentar um desgaste emocional, afetado pela alta eficiência de um concorrente dentro de casa. Lidar melhor com isso o levaria a produzir mais e reduzir a diferença irreal entre ambos hoje. Procurar ajuda profissional não seria nenhum pecado.

 

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