Você é Kimi. O que escolheria?

liviooricchio

11 de julho de 2013 | 20h01

11/VII/13
Nice

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O GP da Alemanha, disputado domingo, foi o nono do campeonato. Restam, ainda, dez etapas para o encerramento da temporada. Mas já se fala muito em como será a formação das equipes em 2014. O assunto mais comentado é, claro, para onde vai Kimi Raikkonen, um piloto extraordinário, responsável principal por relançar a Lotus à condição de time potencialmente campeão do mundo.

Mas além do que o finlandês fará da vida há outras negociações em curso. Estou em casa, em Nice, na França, desde segunda-feira e surpreendo-me pensando no tema. Abri o laptop e decidi pôr na tela minhas reflexões. Conversei com profissionais de várias escuderias no fim de semana, em Nurburgring, como sempre faço. Alguns são bem informados, outros têm amigos nas demais equipes e ouvem deles “coisas”. Há os que me contam o que sabem, o que ouvem e o que acham que vai acontecer. Há fontes seguras e outras nem tanto.

Jornalismo funciona assim. Colocamos, depois, tudo sobre a mesa e procuramos entender como as peças vão se mexer. Acredite: a movimentação obedece as regras de um jogo de xadrez, tal a complexidade de cada lance, em razão dos enormes interesses envolvidos.

Nessa viagem, agora, pelo universo do mercado de pilotos vamos nos focar apenas no futuro de Raikkonen. Por enquanto. O próximo capítulo será Nico Hulkenberg. O texto a seguir foi produzido a partir do que ouvi nas andanças pelos paddocks, minha percepção dos fatos e o que leio em espaços onde há jornalistas que, da mesma forma, conversam com profissionais da Fórmula 1, como por exemplo os dos sites ingleses www.autosport.com, www.grandprix.com, do italiano www.omnicorse.it.

Soube, por exemplo, que Eric Boullier e Gerard Lopez vão ter um novo encontro com Raikkonen. É mais uma tentativa de lhe mostrar os atrativos de permanecer na Lotus. E não aceitar o convite já feito pela Red Bull.

Agora entra o que penso: com certeza a oferta financeira da Lotus será muito boa, tanto quanto a da Red Bull, estimada em 10 milhões de euros por ano. Como o finlandês odeia atividades promocionais, vão lhe reduzir a agenda ao mínimo. E lembrá-lo que na Red Bull terá de atender um sem-número de compromissos dessa natureza.

No encontro com Raikkonen aposto minhas fichas que vão estar além de Boullier e Lopez o novo sócio da Lotus, o grupo internacional Infinity Racing, de sede em Abu Dabi, com seu titular, Mansour Ejaz, e até mesmo Paul Seaby, chefe da Lotus, para lhe dizer algo sobre o trabalho de Martin Tolliday e Dirk de Beer, coordenador do projeto e aerodinamicista do modelo do ano que vem. São os mesmos deste ano.

No próximo encontro de Raikkonen com Christian Horner, diretor da Red Bull – uma contratação como essa exige várias reuniões -, o inglês lhe lembrará os títulos seguidos de sua organização, as garantias oferecidas por um diretor técnico como Adrian Newey, a equivalência de tratamento que terá com Sebastian Vettel e a solidez financeira da empresa de energéticos. Horner não poderá esconder: “A agenda de atividades promocionais será extensa”.

Entrevistei Raikkonen, este ano, na China. O texto foi ao ar no dia 11 de abril. Ouvi do finlandês: “Estou aqui para vencer corridas e são poucos os times que oferecem essa possibilidade”. Senti Raikkonen bastante interessado na transferência para a Red Bull. E na época Mark Webber não havia anunciado, ainda, a sua saída da Fórmula 1.

Mas na cabeça de Horner e na de Helmut Marko, homem sem cargo oficial, porém com enorme força nas decisões do time, Webber não seria reconfirmado para 2014. Até porque o proprietário da Red Bull, o austríaco Dietrich Mateschitz, havia se pronunciado uma semana antes da etapa de Xangai afirmando que Raikkonen “seria uma grande escolha para sua equipe”.

A essa altura das negociações, nem o grupo de Tolliday envolvido no projeto do E22-Renault de 2014 da Lotus nem o de Adrian Newey no RB10-Renault da Red Bull deram qualquer pista sobre a filosofia que regeu a sua concepção. Isso com certeza! A mudança radical do regulamento técnico fará que com que cada grupo de projetistas desenvolva suas respostas ao imenso desafio que enfrentam. E as guardam a sete chaves. Como não conhecem, ainda, provavelmente, a decisão de Raikkonen, é proibido falar nesse assunto.

Os dois lados vão argumentar que as indicações dos estudos no túnel de vento bem como dos programas de simulação, com os dois sistemas de recuperação de energia, capazes de disponibilizar cerca de 180 cavalos por 30 segundos por volta, “são animadoras”.

Horner e Marko deverão lembrar, ainda, Raikkonen, que Newey é o engenheiro mais criativo da Fórmula 1 e é exatamente nessa condição, onde os conceitos são mudados, como em 2014, que suas ideias mais fazem a diferença. O RB9 deste ano é um descendente direto do RB5 de 2009, quando houve uma tentativa do regulamento de redução de 40% na geração de pressão aerodinâmica dos carros.

Eu mesmo ouvi de Newey, no ano passado: “O RB5 foi um dos carros que mais prazer me deram, apesar de não termos sido campeões. Perdemos para um time que possuía um monoposto fora do regulamento (o duplo difusor, da Brawn GP, campeã com Jenson Button). A base dos novos conceitos que empregamos no RB5 ainda está preservada no RB8 (de 2012). E o que é bom ver é os nossos adversários adotarem muito do que foi incorporado no RB5, ainda hoje”.

O argumento da Red Bull é irrefutável. Os três descendentes do RB5, em 2010, 2011 e 2012, foram campeões do mundo. Resultado da criativiade do projetista. E o que Newey não estará aprontando, agora, em que a alteração das regras do jogo é bem mais dramática que a introduzida em 2009?

A conversa de Boullier, Lopez, Ejaz e Seaby com Raikkonen não acabou. Não há dúvida de que irão refrescar sua memória com: “Kimi, você sabe quanto gastamos no ano passado e qual é o nosso orçamento este ano. Metade do que gasta a Red Bull. E construímos um carro que por vezes os vence. Não estamos tão atrás em termos de performance”.

Os integrantes da Lotus têm ainda mais para dizer a Raikkonen: “Com o nosso novo sócio, aqui presente, representante dos interesses da família real de Abu Dabi, temos a garantir de, agora, dispormos de um orçamento bem melhor. Se com tão pouco fizemos tanto, o que não podemos fazer com maior capacidade de investimento em pesquisa, exploração de áreas em que não avançávamos por falta de recursos?”

Boullier pede a palavra: “Kimi, tenho experiência com pilotos. Por mais que você não se importe com o companheiro, na Red Bull será Sebastian (Vettel), três vezes campeão do mundo e, quem sabe, agora, quatro. É diferente de confrontar seu trabalho com Romain (Grosjean) ou Nico Hulkenberg, se vier para cá. Pense nisso também. Não acredito, mas se você perder a disputa por larga margem, possível porque Sebastian está com eles há anos, o carro responde mais ao que o principal piloto do time deseja, como fazemos com você aqui, parte do que reconstruiu brilhantemente nessa sua volta a Fórmula 1 será, infelizmente, esquecido. Seus futuros contratos vão levar esse fator em consideração.”

Você é Kimi Raikkonen e está ouvindo, pacientemente, o que os representantes da Lotus e da Red Bull estão lhe oferecendo. Diante da argumentação de cada grupo, qual seria a sua opção e por quê? Conte aqui, vamos discutir a questão. É bastante oportunda.

Abraços!

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