Webber, a hora da virada. Como em 2010.

liviooricchio

20 de maio de 2011 | 07h26

20/V/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  Foram as duas vitórias seguidas, no GP da Espanha e de Mônaco, no ano passado, que lançaram Mark Webber, da Red Bull, à liderança do campeonato. E não fosse um erro na corrida da Coreia do Sul, antepenúltima da temporada, provavelmente teria sido o campeão do mundo. Este ano, sua trajetória é semelhante. Com o carro que tem, não há como ser apenas o terceiro na classificação, com 55 pontos, diante de 93 do companheiro de equipe, Sebastian Vettel, quem herdou o título em 2010.

  Nessa entrevista exclusiva ao Estado, ontem em Barcelona, o australiano de 34 anos fala em retomar o caminho das vitórias novamente, estando à frente de Vettel já hoje, nos treinos livres do GP da Espanha. Define como “absurda” a tentativa da FIA, de mudar as regras durante a competição, ao proibir os escapamentos aerodinâmicos e depois recuar, e pede à entidade uma providência: “Deixem os pilotos serem espontâneos, exporem sua emoção”.

  A exemplo de Felipe Massa e Michael Schumacher, em 2010, Webber atribui às características dos novos pneus, Pirelli em substituição a Bridgestone, o fato de estar sempre atrás de Vettel. “Melhorei, mas ainda não consigo ser tão rápido quanto Sebastian nas classificações”, explica. “Na pole position, ele pode administrar o consumo dos pneus. Eu, largando mais para trás, os desgasto mais rápido, sou obrigado a substituí-los antes, comprometendo minha corrida.” Mas não tira o mérito do jovem alemão. “Está pilotando como nunca.”

  Webber faz um advertência, pedindo para ser compreendido: “Tenho de parar essa série de vitórias de Sebastian (três em quatro etapas realizadas). Se ele ganhar as próximas três ou quatro provas será ruim para mim e para você (repórter do Estadão).” E quando passar a dividir as vitórias, “como tenho certeza que acontecerá”, espera que Christian Horner, diretor da Red Bull, gerencia o time de forma diferente de 2010.

   “Passamos a viver enormes tensões no ano passado”. O auge desse desgaste se deu na etapa de Silverstone, em que Horner mandou os mecânicos retirarem um aerofólio novo que havia no carro de Webber para substituir o de Vettel, danificado nos treinos. “Todos, agora, têm mais experiência.” Sobre a nova Fórmula 1, comenta não ter gostado da banalização das ultrapassagens. “Antes era uma manobra de precisão, exigia elevada habilidade, enquanto agora está fácil demais. Ayrton Senna não aprovaria essa Fórmula 1.”

  Quando assistiu ao filme de Senna, há duas semanas, Webber comentou ter se emocionado e contou o que cobra da FIA: “Eu já pedi várias vezes para o Charlie Whiting (diretor de prova) que me permita levantar a bandeira da Austrália, no cockpit, quando vencer. Fórmula 1 é paixão.” Falou mais: “O personagem tem de ser preservado. Vi como fazia Senna, a incrível reação da torcida. Agora, esterelizaram nossos sentimentos.”

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