Webber não é piloto de time de ponta

liviooricchio

28 de março de 2010 | 21h02

28/III/10

Livio Oricchio, de Melbourne

  O jovem alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, de 22 anos, estava inconsolável ao regressar aos boxes, na 26.ª volta da corrida, depois de abandoná-la, quando era líder. No GP de Bahrein, duas semanas antes, não deixou a prova, mas perdeu rendimento e caiu de primeiro para quarto. “Vi umas faíscas na roda dianteira esquerda na volta anterior. Pensei em parar nos boxes”, disse depois de demorar para tirar o capacete. Ele poderia ser o líder do Mundial com duas vitórias, mas soma apenas 12 pontos e está em 7.º.

  “De repente senti forte vibração no carro e ao frear na curva 13 quebrou alguma coisa, rodei e fui parar na caixa de brita”, prosseguiu Vettel. “É muito difícil aceitar não ganhar duas corridas que estavam nas minhas mãos. Mas para vencê-las é preciso terminá-las, vamos concentrar nossa atenção na confiabilidade do carro.” Há quem acredite, também, que Vettel rodou por ter ousado num instante de queda de alguns pingos de chuva, conforme foi registrado pela câmara do seu carro.

  Mas o ídolo local, o australiano Mark Webber, mais uma vez demonstrou não ser piloto para uma equipe potencialmente campeã do mundo, mas no máximo time médio da Fórmula 1. Cometeu todo tipo de equívoco. No último, a duas voltas da bandeirada, acabou por fazer uma tremenda injustiça, ao tocar em Lewis Hamilton, da McLaren, que estava pronto para ultrapassar Fernando Alonso, da Ferrari, para ser quarto. Hamilton deu um show no GP da Austrália. Webber recebeu uma advertência da direção de prova.

  “Peço desculpas a Lewis, mas eu não estava fatisfeito com o 6.º lugar, queria um pódio.” Tinha carro, porém, para ganhar o GP da Austrália, como foi o caso em Bahrein e acabou em 8.º. O diretor esportivo da Red Bull, Christian Horner, comentou: “É profundamente frustrante ter a prova sob controle, duas vezes seguidas, este ano, e acontecer o que aconteceu.” E completou: “Conseguir um nono lugar apenas depois de ter os dois pilotos em primeiro e segundo é inaceitável.”

  É bastante complexo conceber e produzir um carro tão veloz e equilibrado como o modelo RB6-Renault. E está sendo mais ainda, para a Red Bull, fazer seus pilotos explorarem do início ao fim todo o seu potencial. Não é toda hora que se tem um projeto vencedor nas mãos na Fórmula 1. Para isso a equipe investiu alto e trabalhou muito desde sua estreia no Mundial, em 2005. Nunca como este ano a conquista foi tão viável. Resta seus pilotos realizarem sua parte no processo.

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