Williams tenta se reerguer. Mas falta dinheiro.

liviooricchio

07 de fevereiro de 2012 | 21h05

07/II/12

Livio Oricchio, de Nice

  Nos anos 90, os lançamentos dos carros da Williams geravam tanto interesse quanto os da Red Bull, hoje, ambos concebidos por Adrian Newey. Eram vencedores, campeões do mundo em 1992, com Nigel Mansell, 1993, Alain Prost, 1996, Damon Hill, e 1997, Jacques Villeneuve. Ontem, a Williams apresentou, discretamente, o seu modelo FW34-Renault, pouco antes do início dos treinos, em Jerez de la Frontera. Pastor Maldonado completou 25 voltas com o novo modelo, sem preocupação com o tempo, como os demais. Ficou em nono, com 1min23s371.

   Ao contrário de pensar em vencer, o objetivo da Williams, este ano, é voltar a crescer na competição, depois de disputar, em 2011, a pior temporada da sua história, conquistando apenas 5 pontos. Muita coisa mudou na equipe. Bruno Senna e Pastor Maldonado, dois jovens, pouco experientes, mas cheios de entusiasmo, terão grande desafio pela frente. Bruno estava feliz, ontem, por ser a primeira vez desde a estreia na Fórmula 1, em 2010, que poderá se preparar nos testes que antecedem o campeonato. “Isso vai ajudar bastante a me tornar mais consistente, um dos problemas gerados pela falta de treinos.” Em especial na Renault, em 2011, Bruno alternava voltas muito boas com outras menos rápidas.

  O modelo FW34 é o resultado da reestruturação da Williams. A primeira diferença está no motor: Renault, agora, como nos quatro títulos dos anos 90, em vez de o Cosworth. O responsável pelo projeto é o experiente Mike Caughlan, ex-McLaren, dentre outros times, o mesmo da escândalo de espionar a Ferrari, em 2007, e a condução técnica da organização ficou para Mark Gillan contestado no meio, mas também experiente. O ponto fraco é, segundo se comenta na Fórmula 1, a liderança falha do advogado Adam Parr, diretor-geral, sócio de Frank Williams e que apenas há pouco tempo começou a descobrir o automobilismo. Perto de completar 70 anos, dia 16 de abril, e bastante debilitado pela tetraplegia, Williams quase não tem mais voz ativa na escuderia.

  Mas se há sangue novo, pilotos e técnicos cheios de vontade de mostrar serviço, a Williams enfrentará um problema sério este ano para lutar pelo sexto lugar entre as equipes: orçamento limitado. Por ter sido apenas a nona colocada no Mundial de Construtores do ano passado, não receberá mais de € 20 milhões (R$ 50 milhões) da Formula One Management (FOM), comandada por Bernie Ecclestone. Se somar todos os patrocinadores da equipe, sem contar os dos pilotos, não vai dispor de mais de € 20 milhões também, ao menos até agora, no máximo.

  Tanto Maldonado quanto Bruno levaram investidores. O venezuelano, € 25 milhões (R$ 62 milhões) e Bruno, estima-se, € 10 milhões (R$ 25 milhões). No total, o orçamento da Williams não deverá, a princípio, ser superior a € 75 milhões (R$ 187 milhões), cerca de um terço, apenas, dos de Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes, por exemplo, e um pouco menor de seus adversários diretos também, Force India, Sauber e Toro Rosso, na luta pelo sexto lugar entre os construtores.

  O que se pode esperar de Bruno Senna? Se essa nova organização da Williams funcionar, e há indícios de que caminha bem, como a simplicidade do carro apresentado ontem, sem as ideias originais do de 2011, mas que o tornaram instável, Bruno pode, vez por outra, se classificar entre os dez primeiros nas corridas. Mas a concorrência será grande, pois as oito primeiras colocações, salvo imprevistos, deverão ficar com Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes.

 

 

 

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