Xeque diz que F-1 é bom negócio para o país

liviooricchio

24 de abril de 2009 | 03h55

24/IV/09
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

O xeque Mohammed bin Isa Al Khalifa foi um dos principais articuladores da introdução do Reino de Bahrein no calendário da Fórmula 1, em 2004. Ontem o xeque, com formação em economia em Oxford, percorria junto do príncipe Salman bin Hamad Al Khalifa o paddock do extraordinário autódromo concebido pelo arquiteto alemão Herman Tilke. A prova está na sua sexta edição. E a pergunta é inevitável: vale a pena todo o investimento do governo de Bahrein para ter a Fórmula 1?

“Inquestionavelmente sim. Um amigo estava em Manaus, Amazonas, e lhe perguntaram de onde era. Ele respondeu Bahrein e a pessoa disse ‘Ah, Bahrein do GP de Fórmula 1’, isso é representativo de que atingimos um dos nossos objetivos”, disse o xeque. “A promoção do país foi importante e tivemos um impacto grande na economia globalmente. Em 2008, por exemplo, a estimativa foi de US$ 600 milhões.”

Nem todos sabem, mas a manutenção do GP de Bahrein no campeonato faz parte de um plano estratégico de incentivo ao crescimento, definido como Economic Development Board (EDB), administrado pelo governo barenita e empresas privadas. O xeque Al Khalifa é o seu diretor-executivo. “A prova aqui é vista por 500 milhões de pessoas no mundo todo e contribuiu para recebermos investimentos estrangeiros.” Ele dá números: “Em 2007 foi de US$ 1,7 bilhão e nossa expectativa este ano é de superar os US$ 2 bilhões”.

Apesar de estar no Golfo Pérsico e separado da Arábia Saudita por uma ponte, Bahrein não tem petróleo. Recebe da vizinha, realiza o trabalho de refino e o exporta. A partir já deste ano Bahrein terá um concorrente de peso pelo interesse na Fórmula 1 na região: Emirados Árabes Unidos. A última etapa do Mundial será na estreante Abu Dhabi, de economia bem mais forte. “Estamos orgulhosos de ter dois GPs no Oriente Médio, nós como pioneiros. Abu Dhabi nos seguiu. A Fórmula 1 é cara, você tem de levar isso em consideração, mas os benefícios que nos oferece valem o investimento.”

A Fórmula 1 traz consigo valores incompatíveis com os pregados pelo islamismo, a religião oficial da nação e de todas as que a cercam. “Não temos problemas com isso. Bahrein é uma democracia, há liberdade para protestar e voltar para casa.”

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