Kazuki, para honrar os Nakajima

liviooricchio

13 de março de 2008 | 04h40

Pessoal, coloco no ar aqui como envio o material para o Estadão.

ATENÇÃO:
Texto redigido quarta-feira à tarde aqui em Melbourne. Serve à edição de quinta-feira. Lembrem-se: estou 14 horas adiante em relação ao horário da redação.

Reportagem de F-1: Kazuki, para honrar os Nakajima
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

Início

Associações imediatas com o sobrenome Nakajima: motorista barbeiro, piloto lento, protagonista de manobras infantis, dentre outras. Mas se depender de Kazuki Nakajima, tudo isso se refere a Satoru Nakajima, seu pai, e não a ele próprio. “Mas meu ídolo”, destaca Kazuki. Ontem no circuito Albert Park, em Melbourne, onde hoje, com a diferença de 14 horas para Brasília, começam os treinos livres da esperadíssima etapa de abertura do Mundial, Kazuki teve de explicar muitas vezes como realizou pré-temporada tão sensacional. Esteve sempre dentre os mais rápidos.

Nakajima pai é um velho conhecido dos brasileiros. Satoru foi companheiro de Ayrton Senna na Lotus, em 1987, e de Nelson Piquet, na mesma equipe, em 1988 e 1989. Em 1990, teve sua responsabilidade por estragar a realização de um sonho de Senna: vencer o GP do Brasil em casa, Interlagos. Ao colocar uma volta de vantagem em Nakajima, da Tyrrell, Senna, líder, viu o japonês lhe fechar a porta no Bico do Pato. O choque foi inevitável. O pit stop a mais para substituir o aerofólio dianteiro de sua McLaren o deixou apenas com o terceiro lugar diante da sua torcida. “Não vi, né?, desculpou-se Satoru.

“Em primeiro lugar, meu pai é a razão de eu estar aqui”, diz Kazuki, de 23 anos, em muito bom inglês, raro para um japonês. “Representava o máximo para mim, embora reconheça que para me manter na Fórmula 1 preciso ser bem mais que ele.” Apesar de saber da fama de trapalhão do pai, Kazuki lembra que era um ídolo no Japão. “Ele foi efetivamente o primeiro japonês, venceu muitas barreiras, o que por si só já é motivo para nos orgulharmos.”

O filho não sabe se o pai irá acompanhar de perto sua segunda experiência na Fórmula 1. Na estréia, no GP do Brasil do ano passado, pela Williams, Kazuki lembrou o pai no melhor estilo. Quem visse sua manobra diria: “É um legítimo Nakajima”. Durante pit stop, atropelou os mecânicos. “A culpa foi 100% minha, me aproximei rápido demais e não consegui frear.” Satoru deve ter se orgulhado do filho também como um legítimo herdeiro de seus mais representativos atos. Já na estréia um strike de mecânicos não é para qualquer um.

“Não sei se meu pai vem assistir à corrida. Se vier, ficará nas arquibancadas. Prefiro assim, me sinto mais confortável”, diz Kazuki, simpático, atencioso e acessível como o pai. Se cometer outro erro, não irão compará-lo ao seu pai novamente? “Sim, mas meu objetivo é não errar. Pelo contrário, os testes mostraram que podemos pensar em conquistar pontos aqui na Austrália.”

Kazuki acredita, como muitos, que ele e o companheiro de Williams, Nico Rosberg, irão lutar com os pilotos da BMW, Renault e Red Bull pelas colocações de quarto a oitavo.

O quase estreante japonês causou sensação ao obter o terceiro tempo, por exemplo, nos testes de Barcelona, realizados entre 19 e 22 de fevereiro, atrás apenas dos pilotos da Ferrari. “Foram treinos muito positivos, nossa equipe deu um passo adiante e minha condição não era distinta da de meu parceiro.” Seus pontos fraco e forte como piloto, por favor: “Frear muito tarde. Às vezes é uma vantagem enquanto em outras um problema”.

FIM

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