Brasileiro enfrenta programa de treinos pelo sonho da NBA
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Brasileiro enfrenta programa de treinos pelo sonho da NBA

Com passagem pelo Sub-19 do Palmeiras, Lázaro Rojas vai ficar cinco meses na mesma academia que recebeu Bruno Caboclo

Marcius Azevedo

11 de novembro de 2015 | 07h00

A invasão de brasileiros na NBA – são nove na temporada 2015-2016 – faz cada vez mais os garotos sonharem em atuar na maior liga de basquete do mundo. Lázaro Rodrigues Leal Rojas embarca no sábado, dia 14 de novembro, para os Estados Unidos atrás deste sonho. O ala-pivô de 19 anos e 2,08m terá oportunidade de participar de um programa de treinamento por cinco meses na Score Academy, em Naples, na Flórida.

Lázaro Rojas sonhar em jogar na NBA (Werther Santana/Estadão)

Lázaro Rojas sonha em jogar na NBA (Werther Santana/Estadão)

A Academia é de propriedade de Rafael Franco, brasileiro radicado nos Estados Unidos. Bruno Caboclo esteve lá recentemente. O ala do Toronto Raptors passou por um programa de alta intensidade no ano anterior ao que foi selecionado no draft. Agora é Lázaro que espera seguir um caminho similar.

“Espero adquirir mais experiência, melhorar, jogar, conseguir uma boa universidade…”, enumera Lázaro, que, no Brasil, defendeu o time Sub-19 do Palmeiras até recentemente. O fim da equipe adulta fez o jovem embarcar de cabeça no sonho, já que ficou sem perspectiva por aqui.

A NBA, hoje, ainda é algo bem distante. Lázaro vai integrar o time adulto da Score Academy, atuando em torneios pelos Estados Unidos, quando será observado por diversos scouts e técnicos de Universidades. Ele sabe o que precisa fazer para atrair a atenção. “Tenho de jogar como os norte-americanos jogam… Quero unir a habilidade dos brasileiros à intensidade dos norte-americanos”, comentou.

No melhor dos cenários, o agente de Lázaro, Eduardo Resende, que foi o responsável por levar Bruno Caboclo à NBA, pretende inscrevê-lo no próximo draft. O programa de treinamento vai até 31 de março de 2016, próximo da data limite para colocar o nome da seleção dos novatos.

Bruno Caboclo no período que ficou na Score Sports Academy (Divulgação)

Caboclo no período em que ficou na Score Academy (Divulgação)

O jogador prefere dar um passo de cada vez. Estudar também faz parte da empreitada. “Quero fazer fisioterapia. É uma área que eu tenho interesse e posso me manter no esporte”, afirmou Lázaro, que fala inglês e italiano.

Italiano? Sim. Lázaro morou na Itália dos 15 aos 18 anos ao lado da mãe Ellen. Foi lá inclusive que ele decidiu pelo basquete. Em Porto Seguro, na Bahia, onde morava antes de se mudar para o Velho Continente, ele conciliava o esporte da bola laranja com o futebol. “Era goleiro no futsal e zagueiro no de campo”, comentou, lembrando, claro, da altura.

Responsável por um Camp de Verão, o italiano Walter, influenciou na decisão. “Ele me ajudou muito. É o meu pai no basquete.”

Falar sobre Ricardo, seu pai biológico, faz Lázaro se emocionar ao contar uma daquelas históricas dignas de roteiro de novela. Ele só o conheceu em 2009, quando já tinha 12 anos. Os seus pais tiveram um relacionamento em Porto Seguro e, quando ele voltou para São Paulo, Ellen descobriu que estava grávida, mas não contou para Ricardo na época.

A descoberta foi por acaso. “Nunca exigi saber quem era o meu pai. A minha mãe tinha uma amiga que trabalhava na Receita Federal. Um dia elas estavam conversando e o meu pai virou o assunto. Ela disse que poderia procurá-lo no banco de dados e descobrimos, pelo nome, que ele morava em São José dos Campos”, relembrou Lázaro.

Lázaro Rojas em ação pelo Palmeiras na LDB (Divulgação)

Lázaro Rojas em ação pelo Palmeiras na LDB (Divulgação)

Apenas uma ligação resolveu tudo. “A primeira vez foi só choro. Minha mãe chorando, eu chorando, ele chorando…”, relembra. “Em nenhum momento ele hesitou, logo que ficou sabendo sobre mim, se mobilizou para me conhecer. Levou todo mundo para Porto Seguro. Pude conhecer meu irmãozinho, meus avós…”

Ex-judoca, o pai, que tem 2,03m, teve influência direta na escolha pelo esporte. A ideia de fazer alguns testes em times de basquete no Brasil foi de Ricardo. “No final do ano passado, eu estava de férias aqui e surgiram alguns times para fazer testes”, contou. Lázaro passou logo na primeira tentativa, no Palmeiras. “No dia 12 de janeiro me apresentei para iniciar os treinamentos.”

Lázaro não teve muito espaço, até pelo pouco tempo de casa em relação aos companheiros. Mas, pelo potencial de crescimento, tinha o caminho aberto para ser aproveitado por Régis Marrelli, no time adulto. O clube, no entanto, decidiu encerrar atividades, concentrando o investimento nas categorias de base.

A falta de perspectiva fez o garoto aceitar o desafio proposto pelo seu agente, pela primeira vez morar sozinho e encarar cinco meses de treinamentos intensos. Adiantou provas no colégio, se formou no colegial e agora embarca atrás do sonho. A NBA é o objetivo maior, mas Lázaro não descarta a oportunidade de passar algumas temporadas nas quadras universitárias dos Estados Unidos em busca do seu diploma antes de tentar entrar na maior liga de basquete do mundo, ele não tem nada a perder nesta história.

Lázaro Rojas sonhar em jogar na NBA (Werther Santana/Estadão)

Lázaro Rojas sonha em jogar na NBA (Werther Santana/Estadão)

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