ENTREVISTA: Caboclo se diz mais preparado para jogar na NBA
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

ENTREVISTA: Caboclo se diz mais preparado para jogar na NBA

Após temporada frustrante, ala do Toronto Raptors acredita que terá mais minutos em quadra e sonha em jogar na Rio-2016

Marcius Azevedo

06 de agosto de 2015 | 07h11

Bruno Caboclo ficou sob os holofotes ao ser selecionado pelo Toronto Raptors na surpreendente 20ª posição do draft da NBA no ano passado. O brasileiro de 19 anos era apontado como uma aposta que poderia ter um impacto imediato.

Após uma temporada em que entrou em quadra somente 23 minutos e que foi pautada por muita dificuldades, dentro e fora de quadra, o ala se sente muito mais preparado para dar um retorno ao time canadense.

Em entrevista ao blog por e-mail, Bruno Caboclo negou estar sem confiança para infiltrações, apesar de ter abusado das bolas de três pontos durante os jogos da Summer League (Liga de Verão), quando registrou um desempenho ruim (10/36 ou 27,7%), e que tem procurado melhorar todos os dias nos treinamentos.

A barreira língua, que foi algo bastante complicado, já que o ala não entendia até simples instruções, também está superada, segundo ele. A seleção também é um objetivo e, quem sabe, disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Você sente que depois de uma temporada de treinos já está pronto para jogar ou ainda é necessário desenvolver mais seu jogo?
Sei que ainda posso melhorar, mas já estou mais confiante e preparado para jogar.

Quanto você já ganhou de massa muscular desde que deixou o Brasil? Essa mudança no seu corpo te atrapalha de alguma forma?
Ganhei quatro quilos, mas tudo bem pensado, bem calculado. Não me atrapalhou em nada, de forma alguma.

Sem um físico desenvolvido é muito mais difícil jogar na NBA? Você tinha muito dificuldade nos treinos 1 contra 1 quando chegou?
Sim. Aqui é bem mais físico e tive dificuldade no começo para me encaixar, me adaptar melhor a esse tipo de jogo.

Bruno Caboclo em ação pelo Toronto Raptors na Summer League

Bruno Caboclo em ação pelo Toronto Raptors na Summer League

Você jogou apenas 23 minutos na última temporada. Isso te frustrou de alguma forma?
Era a minha primeira temporada, sabia que teria poucas oportunidades, eu estava chegando na NBA. Tenho muito a evoluir, muito a aprender e esse período na Summer League (Liga de Verão) e nos treinamentos que fizemos nesse verão me ajudaram bastante. Não tenho porque pensar em frustração, de maneira alguma, estou numa equipe que confia em mim, está me dando todas as condições de me preparar bem, acredita no meu potencial e isso tudo eu levo comigo para dentro de quadra.

O gerente geral dos Raptors, Masai Ujiri, falou que a franquia está ainda mais entusiasmada agora com você do que quando te selecionaram do draft. Isso gera algum tipo de pressão a mais?
Fico feliz por ouvir isso. Quero que confiem em mim, cada vez mais, e se estou conquistando essa confiança, é sinal de que estou trabalhando bem. É resultado da minha dedicação. Não encaro como pressão, isso me motiva ainda mais a treinar duro e conquistar o meu espaço na equipe.

Sei que é uma questão delicada, mas o que te motivou a trocar de agente? O plano de carreira que o Eduardo Rezende te apresentou, com projeção de estourar apenas no terceiro ano de NBA, te frustrou?
Foi uma decisão minha. Apenas isso.

Você usou uma letra do Emicida no Twitter recentemente. “Chamei uns de irmão, quando nóis era sócio. Pensei ter feito amigos, e tava fazendo negócios”. Era um recado para alguém?
Não. Ouço bastante as músicas do Emicida e esse trecho da música tem um significado muito forte. Mas não foi recado para ninguém, apenas um pedaço daquela música que ficou na minha cabeça. É um trecho que diz muito, é um alerta para algumas situações que acontecem no dia a dia e das quais ninguém está livre.

Bruno Caboclo concede entrevista após treino com o Toronto

Bruno Caboclo concede entrevista após treino com o Toronto

Acredita que já superou totalmente a barreira da língua? Isso será fundamental para se destacar na próxima temporada?
Sim, já melhorei bastante. Tenho tido aulas diariamente, estudo bastante e estou cada dia falando melhor. Isso está me ajudando muito.

Qual o peso de ter o Lucas Bebê ao seu lado auxiliando no crescimento dentro e fora de quadra? Tem algum outro companheiro que te ajuda?
Ele me ajuda muito, com certeza. Foi importante quando eu cheguei aqui, era tudo novo para mim e ele já tinha mais experiência por estar vindo da Europa, ter passado por essa adaptação antes. O Valanciunas e o James Johnson sempre me ajudaram muito, sempre estiveram do meu lado dando apoio.

Como vê o seu espaço no elenco? A concorrência aumentou consideravelmente depois da chegada de DeMarre Carroll, que fez ótima temporada pelo Atlanta Hawks?
Carroll foi uma contratação importante, um jogador versátil, que vem de grande temporada com os Hawks e vai ajudar muito o nosso time. Todo mundo que chega e torna nossa equipe mais forte é importante, somos um grupo e queremos que esse grupo se fortaleça sempre, dentro e fora de quadra.

A história do Kevin Durant brasileiro já ficou para trás?
Isso foi algo que falaram quando eu cheguei e não levo isso comigo para dentro de quadra. Fico orgulhoso com o comentário, encaro como um elogio e espero poder mostrar em quadra o meu talento. Durant é um “All-Star”, um jogador consagrado, eu estou chegando agora, buscando meu espaço na NBA.

A seleção hoje é um objetivo?
Acho que vai acontecer naturalmente. É um objetivo na minha carreira, claro, deve ser muito especial vestir a camisa do Brasil e representar o seu país. Muitos acham que eu não estou pronto ainda, então vou me dedicar ao máximo, aprender e evoluir para que esteja pronto para quando aparecer a oportunidade.

Acredita que pode disputar os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio?
Gostaria muito, é um sonho sim, ainda mais pelas Olimpíadas serem no Brasil. Antes, preciso chegar à seleção brasileira, conquistar o meu espaço, para poder pensar nos Jogos de 2016. Quero ter uma boa temporada aqui no Toronto, ganhar mais minutos em quadra, ajudar os Raptors, e se a chance de defender o Brasil aparecer para mim, estar bem preparado para aproveitar a oportunidade.

*Colaborou Renan Fernandes

Tudo o que sabemos sobre:

basqueteBruno CabocloNBAToronto Raptors

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: