ENTREVISTA: Cipolini confia na recuperação do Brasília
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ENTREVISTA: Cipolini confia na recuperação do Brasília

Marcius Azevedo

27 de dezembro de 2014 | 11h56

Brasília faz uma campanha ruim no NBB. São apenas quatro vitórias em 12 jogos. A equipe passou por uma reformulação e ainda busca uma identidade. Peça importante neste processo, o ala-pivô Cipolini, que chegou do Uberlândia, concedeu entrevista exclusiva ao blog.

O jogador cita os problemas de lesão e os reforços que ainda estão chegando para justificar o desempenho da equipe até aqui. O Brasília ocupa o 11º lugar ao lado de Uberlândia e Macaé, com 33,3% de aproveitamento. O time do Distrito Federal, neste momento, conseguiria vaga para os playoffs.

Como foi a mudança para Brasília? O que pesou para trocar de time? Fazia quatro anos que você estava em Uberlândia. Fechou-se um ciclo?
No começo não foi fácil, pois já estávamos acostumados com a vida em Uberlândia nos últimos quatro anos, mas o time e a organização nos acolheram muito bem aqui e a adaptação foi rápida. Também somos membros de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, conhecido popularmente como Mórmons, que foi fundamental para nossa adaptação pois contamos com grandes amigos na igreja que acolheram nossa família muito bem. Para a mudança de time, o que aconteceu foi uma alteração de planejamento. As duas partes acharam melhor seguir rumos diferentes, mas com certeza foram grandes momentos que passei lá. Saí de cabeça erguida e grato pela oportunidade de ter feito parte da história de Uberlândia, foi um ciclo em que as portas ficaram abertas.

Que análise você pode fazer do NBB? Está mais equilibrado que nas últimas temporadas?
É uma liga que vem crescendo a cada ano, com mais divulgação e planejamento. Os jogos estão cada vez mais disputados e a cada ano mais difícil apontar favoritos.

Cipolini em ação pelo Brasília (Moisés Nascimento/Fotojump)

Cipolini em ação pelo Brasília (Moisés Nascimento/Fotojump)

Por que o Brasília ainda não conseguiu o rendimento esperado?
Estamos sofrendo muito com lesões e jogadores que ainda estão chegando para nos ajudar. Isso atrapalhou a sequência do nosso time. Mas temos um grupo ótimo, com jogadores experientes, e estamos todos juntos e unidos para buscarmos uma melhor colocação na tabela e chegarmos aos playoffs em nossa melhor fase.

Como você definiria o seu estilo de jogo, mais 4 ou mais 5? O Vidal, seu técnico em Brasília, disse que gosta de pivôs leves, te definindo como um. Isso te ajuda?
Meu jogo é de um 4, tamanho também, mas levo vantagem quando jogo de 5, porque consigo ser mais atlético que um 5 de natureza, principalmente no ataque.

Você é o líder em enterradas na história do NBB. Quando começou a enterrar? Quem te inspirou e inspira?
Desde de quando comecei a jogar basquete em Casa Branca, minha cidade natal, a enterrada sempre me fascinou. Achava o máximo quando via jogadores enterrando. Na época, tinha 12 anos e não enterrava ainda na tabela profissional, que tem 3,05 metros de altura. Somente enterrava na tabela mini, que tem 1,75 metro de altura. A partir dos 14, 15 anos, comecei a enterrar na tabela profissional e não parei mais. Quem mais me inspirou como jogador para enterrar foi Vince Carter. Ele é o melhor no quesito enterrada, na minha opinião.

Você tem, cada vez mais, aprimorado os chutes de longa distância. Tem feito algum treinamento específico para isso?

Desde garoto eu já tinha um bom arremesso, mas não sabia explorar. Gostava, mesmo, era só de tentar enterrar. Na minha carreira tive alguns técnicos que me ajudaram a ganhar confiança em arremessar mais nos jogos, principalmente com a minha passagem pela NCAA, em que joguei pela BYU-Hawaii por quatro anos. Quando voltei para o Brasil, quatro anos atrás, acabei quebrando minha mão direita na primeira temporada. Tive que fazer cirurgia e fiquei longe da bola por três longos meses. Como sou destro, isso dificultou muito. Acabei perdendo a confiança por algum tempo, mas, depois de muito treino e repetição, consegui ter mais confiança e padrão no meu arremesso novamente. Hoje, eu consigo usar isso como uma arma a mais para meu jogo ofensivo.

Algum jogador da NBA te inspira hoje? Você tem um estilo semelhante ao do Blake Griffin, que se destaca nas enterradas, mas que tem ido bem também nos arremessos…
Gosto muito de assistir à NBA. São jogadores com muito talento e que competem toda noite para ajudar seu time. Acho um estilo de jogo muito diferente do nosso. Eles são muito atléticos e talentosos. Não tenho um jogador hoje em que eu me inspiro, mas, sem dúvida, gosto de ver o Blake Griffin jogando.

E seleção brasileira? A briga na sua posição é grande. Teve chances em 2008, 2010, 2011 e 2012. A mudança de equipe pode te ajudar nisso?
Sou muito orgulhoso e feliz por ter participado dos anos em que participei e tive a oportunidade de representar meu país no esporte que amo. Foram anos de muito aprendizado. Sei que na minha posição é muito difícil uma vaga, mas não tenho dúvida de que, se eu estiver focado no meu trabalho aqui no UniCEUB/BRB/Brasília, posso ainda ter chances futuras na seleção.

Cipolini em ação pelo Brasília (Moisés Nascimento/Fotojump)

Cipolini em ação pelo Brasília (Moisés Nascimento/Fotojump)

Que análise você pode fazer sobre o basquete brasileiro desde quando você voltou para cá?
Quando eu saí, em 2006, tinha uma visão totalmente diferente do que eu encontrei quando retornei, em 2010. E foi uma mudança para melhor. E hoje, no meu 5º ano disputando o NBB, vejo uma melhora a cada temporada, e isso me deixa animado para gerações futuras, que poderão desfrutar de algo que está sendo bem cuidado.

O que mais te acrescentou na carreira a passagem pelos Estados Unidos?
Além do talento como jogador, o mais legal que aprendi e que carrego até hoje comigo foi treinamento e respeito ao jogo de basquete. Lá, o treinamento é levado muito a sério, e o atleta é trabalhado desde a base, muito forte, tanto fisicamente, quanto taticamente, e isso me impressionou. Procuro aplicar isso a cada dia na minha rotina de treinamentos.

A LNB fechou parceria com a NBA. No que a maior liga do mundo pode ajudar para o crescimento do NBB?
Acho que foi uma sementinha plantada, e que muitas gerações vão colher esse fruto. A NBA é uma liga muito bem organizada e profissional ao extremo. Isso vai ajudar muito a NBB a crescer profissionalmente, junto com os profissionais que nela trabalham. Tem tudo para dar certo, e torço para que isso aconteça. Nosso basquete merece.

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