ENTREVISTA: Maxi Stanic enaltece relação com o Palmeiras
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ENTREVISTA: Maxi Stanic enaltece relação com o Palmeiras

Armador argentino diz que recusou propostas de outras equipes e que está totalmente adaptado ao basquete brasileiro

Marcius Azevedo

08 Novembro 2014 | 16h16

Se o time de futebol do Palmeiras conta com o “Mago” Valdivia, o de basquete tem o “Mágico” Maxi Stanic. O armador reestreou pela equipe alviverde na vitória sobre Rio Claro, na estreia palmeirense na sétima edição do NBB.

Em entrevista exclusiva ao blog, o argentino de 35 anos, que estava defendendo o Club Moron, da Argentina, por ser grato até hoje por ter se formando como jogador lá, explicou os motivos que o fizeram voltar ao Palmeiras, apesar de ter outras propostas até mais vantajosas.

Stanic fala ainda das diferenças entre o basquete brasileiro e argentino e se diz muito feliz por estar atuando ao lado do amigo Nico Gianella.

Por que decidiu permanecer no Palmeiras, mesmo com propostas maiores de outros clubes?
Neste momento da minha carreira, estando num grande clube como o Palmeiras, recebi muito carinho de todos e isso me tocou. O carinho do torcedor, da diretoria, de todo o clube. Eu chego aqui com meus filhos e minha esposa e parece que faço parte do clube desde o início de minha vida. Isso não tem preço. O sentimento é muito maior do que outras coisas, inclusive, o dinheiro. Quero conquistar um título com o Palmeiras.

Já está completamente adaptado ao basquete brasileiro?
Totalmente. Já sinto que jogo no Brasil há muitos anos.

Quais diferenças vê entre o basquete praticado na Argentina?
O basquete brasileiro tem um estilo mais de correria, jogo livre e o argentino, cinco contra cinco, meia quadra, mais físico. Mas acho que isso está mudando. Na Argentina, muitos times já fazem mais de 80 pontos em um jogo, algo que não ocorria anteriormente com frequência, e os times no Brasil, ao contrário, começaram a jogar num ritmo menor, com placares mais baixos. A Liga brasileira está se desenvolvendo cada vez mais, tendo jogadores de grande talento. Na organização, é uma Liga nova, com sete anos, enquanto a Liga Argentina tem 30 anos, a experiência é maior. Mas o investimento e os jogadores do NBB são incríveis e fazem com que o campeonato seja muito bom.

Como é jogar ao lado do Nico Gianella, com quem você tem uma relação desde criança? Qual o segredo de uma amizade tão duradoura?
Sou um fã do Nico, gosto muito do estilo de jogo dele. Acho que ele ainda tem que pegar ritmo, assim como eu também, mas o Palmeiras e os palmeirenses ainda terão oportunidade de ver grandes atuações do Nico. É uma grande pessoa, que está dentro dos padrões que o Palmeiras queria, afinal de contas, aqui no Palmeiras só encontramos grandes pessoas. Como jogador, é ótimo. Como ser humano, também. Jogamos juntos desde pequenos, com 13 anos nos campeonatos estaduais na Argentina, e depois na Espanha, na Itália, mas aí contra, sendo uma grande prazer mesmo assim.

Stanic com o compatriota Gianella (Fábio Menotti)

Você acredita que o Nicolás Laprovittola reabriu um mercado importante para os argentinos?
Há 20, 30 anos atrás, os argentinos vinham, inclusive para o Palmeiras, que teve três grandes jogadores argentinos antes da minha chegada (Ernesto “Finito” Ghermann, “El Gallego” Gonzalez, e Aguirre). Mas depois ficaram um tempo sem vir. Na volta, vejo primeiro o Figueroa, que veio muito bem. Na sequência, o Espinoza, e depois, o Nico Laprovittola, que fez um grande NBB 6 e ganhou tudo com o Flamengo. Isso foi importante, porque mais times no Brasil olham com carinho para a Argentina.

Como é sua relação com o Laprovittola? Ele já disse que tem em você uma referência…
Jogávamos juntos, eu como adulto e ele, com 13, 14 anos, ainda pequeno, na Argentina. Era muito legal, sempre foi. Trata-se de uma grande pessoa e um grande jogador, que tem, aliás, um excelente futuro.

Qual as diferenças entre Betão e Regis Marrelli?
Ainda estou conhecendo o Regis. Seguramente, vejo que o padrão varia um pouco de um para o outro, mas é cedo para dizer, pois cheguei faz somente duas semanas.

A saída do Betão te preocupou, já que foi ele quem foi te buscar na Argentina?
Num primeiro momento, sim, pois sou muito grato ao Betão por ter me trazido para o Brasil e por tudo o que fez por mim, mas logo que ele me avisou de sua saída, a diretoria conversou comigo e também tive a oportunidade de conhecer e conversar com o Regis, que me deu confiança e sou muito tranquilo, então, ficou tudo bem.

Como vê o time do Palmeiras? Até onde ele pode chegar no NBB?
Ainda acho muito cedo para dizer. O time não está completo, por suspensões, por exemplo. É difícil falar, com um jogo disputado somente (vitória na estreia sobre Rio Claro, 75 x 72), onde vai chegar essa equipe. O time tem muita qualidade e os trabalhos que estão sendo desenvolvidos, na defesa, com movimentação de bola, os arremessos, tudo está sendo feito com determinação. Mais adiante poderemos saber o que irá acontecer.

Acompanha o time de futebol? Se relaciona com os argentinos que jogam na equipe do técnico Dorival Junior?
Assistia muito aos jogos do Boca e por isso conheço Mouche, que é um grande jogador, assim como Tobio, que acompanhava no Vélez. Gosto muito de futebol. Ainda não vi Cristaldo e Alione, mas também lembro deles por acompanhar as partidas do Vélez e sei que são grandes jogadores.

Você acompanhou pela primeira vez o time de futebol da arquibancada justamente no clássico Palmeiras x Corinthians, no Pacaembu. Qual foi a sensação?
Incrível. A torcida do Palmeiras é fantástica, apaixonada e foi uma experiência sensacional. Com certeza repetirei muitas vezes, principalmente assim que inaugurado o Allianz Parque. O estádio está lindo e farei de tudo para acompanhar ainda mais de perto.

Stanic, o Mágico, em ação pelo Palmeiras (Fábio Menotti)

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