‘Espero que o Pinheiros resolva minha situação’, diz Morro, após ganhar ação na Justiça
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‘Espero que o Pinheiros resolva minha situação’, diz Morro, após ganhar ação na Justiça

Aos 35 anos, pivô, que teve problema nos dois joelhos, tem de realizar cirurgia e tratamento para tentar voltar ao basquete

Marcius Azevedo

30 de abril de 2020 | 09h00

Uma decisão do juiz Jean Marcel Mariano de Oliveira, da 45ª Vara do Trabalho de São Paulo, determinou nesta semana o retorno do pivô Morro ao Pinheiros para seguir um tratamento de um problema nos dois joelhos que começou em 2012 e posteriormente voltar ao basquete. O processo na Justiça foi iniciado em junho de 2017. Ainda cabe recurso.

Aos 35 anos, o jogador espera que o clube possa cumprir o que prometeu no decorrer do processo de recuperação, inclusive com uma segunda cirurgia no joelho direito. Na primeira em julho de 2016, o processo cirúrgico foi malsucedido. “Por mim, essa situação teria sido evitada desde o primeiro dia, mas, na primeira tentativa, falaram que fariam uma cirurgia para resolver, mas abriram meu joelho e não fizeram nada. Depois do pós-operatório, eles falaram que iriam resolver e simplesmente avisaram o fisioterapeuta que não era mais para me tratar e pararam de me pagar. Depois disso entendi o recado”, afirmou Morro, em entrevista exclusiva ao blog.


Morro em ação pelo Pinheiros em partida do NBB. FOTO: LNB

Morro chegou ao Pinheiros em agosto de 2007. Foram quase dez anos de casa antes de decidir entrar com uma ação na Justiça. O problema no joelho esquerdo começou em 2012, depois passou para o direito, quando sofreu com idas e vindas, até que se decidiu por uma cirurgia em março de 2016. O laudo foi do ortopedista Caio D’Elia, médico do clube até 2015, que detectou um derrame articular.

A intervenção foi pelo SUS, mas, diante do que observaram ao abrir o joelho do jogador, os médicos optaram por não realizar o procedimento. A conversa continuou com o Arnaldo Luiz de Queiroz Pereira, então diretor de área de esportes olímpicos e formação, e Carlos Osso, ex-diretor do clube, até que as promessas, segundo Morro, não foram cumpridas e o caso foi passado ao departamento jurídico do Pinheiros.

“É uma situação muito triste e complicada, porque eu tenho um apego imenso pelo clube e principalmente pelos funcionários de lá. Mas infelizmente a diretoria da época não quis resolver o meu problema no joelho e eu já estou ficando com uma idade avançada, então não posso mais ficar esperando a boa vontade deles”, afirmou Morro.

Em dezembro de 2018, perto do Natal, o juiz deu parecer favorável para o jogador ser reintegrado. A oficialização aconteceu no dia 28 de janeiro de 2019, quando ele foi registrado como funcionário do clube, pela CLT, com um salário de R$ 16.500 mensais na carteira de trabalho. O Pinheiros nunca pagou um centavo. Ele foi enviado ao INSS, que não o aceitou e Morro foi parar no chamado ‘limbo previdenciário’.

Agora, Morro espera que o clube possa realizar o tratamento necessário no joelho e, quem sabe, voltar às quadras. “Espero a mesma coisa que venho esperando desde 2015. Que eles venham conversar comigo para resolver essa situação que eles causaram. Não espero reconhecimento pelos anos e títulos. Espero que eles assumam suas responsabilidades como empregador, assim como cumpri as minhas, como empregado”, afirmou.

“Entendo que quanto mais demorar para resolver, mais difícil será a recuperação. Quero ir passo a passo. Voltar a treinar como um atleta profissional, sentir a rotina de treinamentos e me sentir confiante em voltar a correr e saltar como antes”, completou.

Neste período em que ficou afastado, Morro ajudou em um negócio familiar para poder se sustentar. “Mas é complicado ficar nessa incerteza, se estarei aqui amanhã, se o Pinheiros vai me chamar de volta para a continuidade do meu contrato”, encerrou.

O blog procurou Carlos Osso, que deu sua versão sobre o fato. “Na minha opinião nos o tratamos muito bem, o departamento médico se dedicou muito em tentar recuperá-lo, tanto que ele fez várias visitas a médicos especialistas do Hospital das Clínicas (HC), mas percebemos que era difícil a sua recuperação. Ele sempre reclamou disso e disse que o médico dele resolveria o assunto. O departamento médico do Pinheiros, que é independente do esporte, não concordava com o posicionamento do atleta. Ele ficou praticamente a temporada (2015-2016) toda no banco, porque César (Guidetti, técnico da equipe) solicitou, mas, sem jogar porque não tinha condições”, explicou. “Não tem promessas, nós fizemos tudo que era possível para recuperá-lo, somente que depois da temporada, o dispensamos e ele ficou bravo”, completou.

Osso enviou ainda ao blog um relatório detalhado da temporada 2015-2016. Morro participou de apenas 48% dos treinos técnicos (perdeu 118 atividades) e 70% dos treinos físicos (perdeu 35 trabalhos). Foram 27 jogos de um total de 78 do Pinheiros. O documento ainda detalha todos os problemas médicos sofridos pelo jogador e os tratamentos recebidos.

Arnaldo Luiz de Queiroz Pereira também respondeu ao blog. Afirmou que tudo foi feito da melhor maneira e que Morro recusou o que foi proposto pelo Pinheiros. Segundo ele, o clube ofereceu pagar o procedimento cirúrgico com o profissional desejado pelo jogador, um ano de salário no período de recuperação e todo o processo de fisioterapia, mas o pivô não aceitou e entrou com uma ação na Justiça. “Ele (Morro) chegou a apertar a minha mão e do diretor jurídico do Pinheiros com a presença do advogado e do agente dele, mas, na semana seguinte, desistiu. Tentamos até o último instante chegar a um acordo para recuperá-lo”, disse.

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