‘Este é um ano chave para mim’, afirma Jefferson Campos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Este é um ano chave para mim’, afirma Jefferson Campos

Armador espera jogar mais minutos nesta temporada pelo Brasília depois de passagem pelo Pinheiros

Marcius Azevedo

03 Novembro 2015 | 12h21

Brasília estreia na oitava edição do NBB contra o Caxias do Sul nesta quarta-feira, fora de casa. Dono de três títulos na competição (2010, 2011 e 2012), o time do Distrito Federal conta com jogadores experientes no elenco, como Guilherme Giovanonni (35 anos), Fulvio (34) o Arthur (33), mas há um jogador de 24 anos que atrai atenção. Recém-chegado do Pinheiros, o armador Jefferson Campos participou de todas as edições do torneio.

É o atleta mais jovem com 100% de presença no NBB. A primeira aparição foi pelo Paulistano, com 17 anos, quando disputou 23 jogos. Ele defendeu o time da capital em mais duas edições antes de passar por Vila Velha-ES, Suzano, Mogi das Cruzes e Pinheiros, na temporada 2014-2015.

Em entrevista exclusiva ao blog, Jefferson Campos afirma que crê em uma boa campanha do Brasília, embora jogue o favoritismo para Flamengo e Bauru. O armador também acredita que será um ano chave para sua carreira.

Qual a sua expectativa para esta temporada?
Jogamos bem nas sete partidas de preparação, fomos para os jogos da Liga Sul-Americana com um bom ritmo, o time está se entrosando. A expectativa é muito grande. O nosso elenco é muito forte, com diferentes peças e talentos. Temos condições de chegar em todos os torneios que vamos disputar nesta temporada.

Você coloca o Brasília entre os favoritos, principalmente no NBB?
Não coloco o nosso time como favorito. Prefiro colocar que vamos trabalhar para buscar os melhores resultados, sempre batendo de frente com qualquer adversário porque temos qualidade e força de vontade.

Jefferson Campos em ação pelo Brasília (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Jefferson em ação pelo Brasília (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Flamengo e Bauru estão em um outro nível? Principalmente o Flamengo, que, apesar de perder jogadores importantes, contratou reforços de peso… É uma realidade diferente das outras equipes do basquete brasileiro?
Eles investem bastante, tem jogadores com muita experiências internacional, mas fomos lá e fizemos dois jogos equilibrados (vitória por 73 a 71 e derrota por 93 a 88) contra eles na preparação. É aquela máxima: o basquete é jogado. Não adianta ter uma camisa forte, o maior investimento, os melhores nomes se eles não se entenderem dentro de quadra para colocar em prática o que foi treinado. Esses times têm bom elenco, tradição, mas tudo se resolve na quadra.

Na última temporada você não jogou tantos minutos quanto imaginava. O que aconteceu? E o que te motivou na ida para Brasília?
No Pinheiros, eu estava fazendo um bom trabalho, treinando bem, mas, por opção do técnico (Marcel), ele acabava não me colocando para jogar. Nos playoffs, ele começou a me utilizar mais, viu que eu tinha potencial, que poderia ajudar e joguei mais. Mas foi uma temporada de aprendizado. Eu tinha jogadores experientes na minha posição, como o Joe e o Jason Smith, o Paulinho (Boracini), todos mais velhos. Tenho apenas 24 anos e usei o tempo em que não estava em quadra para observá-los e aprender ao máximo. Toda situação que você passa tem de tirar proveito, seja ela boa ou ruim. Aqui em Brasília eu vim porque, quando assinei, tinha um único armador, que era o Fulvio. Eu sempre admirei o Fulvio. O meu primeiro treino com o time adulto do Paulistano foi quando ele jogava lá. Cada treino que faço com ele é um aprendizado.

Você comentou que era apenas um armador quando você assinou. Agora chegou o Deryk Ramos, excelente jogador que era de Limeira. Vê uma briga de três armadores por uma vaga ou você pode dar preferência por atuar na posição 2, como aconteceu nos jogos da Liga Sul-Americana?
O que temos conversado nos treinos é que eu e o Deryk, o Fulvio também mas um pouco menos, é que podemos atuar nas duas posições. O Zé (o técnico José Carlos Vidal) gosta de atuar com dois armadores. Foi o que aconteceu na Liga Sul-Americana e, muito provavelmente, vai se repetir ao longo da temporada. Mesmo com o Fulvio em quadra, muitas vezes, sou eu ou Deryk que levamos a bola para o ataque. Acho que é apenas uma nomenclatura. Armador ou ala. Quando você está em quadra, mesmo na posição 2, você pode armar o jogo.

Está totalmente adaptado ao jeito de trabalhar do Vidal?
A minha adaptação foi bastante fácil. Aprendo uma coisa nova todos os dias pelo contato com o Fulvio, Guilherme Giovanonni, o Arthur… São jogadores com uma bagagem incrível e eles facilitam muito o meu trabalho. Presto muita atenção nos treinos para ir conhecendo os atalhos das jogadas, os atalhos do jogo e fica fácil.

Jefferson Campos (3) observa orientação de Vidal (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Jefferson (3) é orientado por Vidal (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Qual o ponto forte do Brasília?
A gente é bastante versátil. Além disso, o que observei nos dez jogos que fizemos, os sete amistosos e os três pela Liga Sul-Americana, é que tanto o primeiro grupo, o time titular, quanto o segundo, o nível se mantém ou até eleva o nível. Isso é bastante importante. Os principais times da Europa são assim. Hoje temos 10, 11 jogadores em condições de serem titulares.

A chegada do Pilar também reforçou o aspecto defensivo da equipe?
As contratações, não só o Pilar, foram neste sentindo. Eu, o Deryk, o André Coimbra… Nos quatro demos um upgrade no aspecto defensivo. É um time mais aguerrido agora. Defesa contagia. Os outros jogadores observam o esforço que fazemos nos treinos e, aqueles que não têm uma característica de marcação, se doam um pouco mais. Os treinos estão sendo bons e isso vai ter reflexo nos jogos.

Você disputou todas as edições do NBB até aqui. É possível tirar alguma vantagem?
Sou o jogador mais jovem que participou de todas as temporadas. Mas, apesar de jovem, joguei com grandes jogadores na minha posição e também com e contra grandes jogadores de outras posições. Eu tiro tudo isso como aprendizado. Passo alguma coisa para os mais novos do que aprendi nesses anos. Tudo é válido. Estou pronto para esta oitava temporada.

O fato de ter começado tão jovem no adulto te ajudou?
Lá no Paulistano, quando comecei, não treinava com o Cadete ou Juvenil. Ficava mais com o adulto. Eu notava a diferença quando ia jogar no Juvenil. Era mais fácil, o entendimento do jogo, o conhecimento do jogo passou a ser muito maior. Isso só acrescentou para a minha carreira.

A evolução do basquete brasileiro foi muito grande depois da criação da LNB, processo que você participou, mas ainda temos episódios como o fim de Limeira, terceiro colocado na edição do ano passado… Como você vê hoje a organização do basquete brasileiro?
Em uma grande liga são vários dirigentes e várias vontades, mas acho que estamos no caminho certo. O basquete no Brasil cresceu muito, está se tornando referência para o mundo… Mas infelizmente acontecem fatos como este de Limeira. São fatos isolados. Não vou dizer que é irrelevante, porque é muito triste ver uma equipe do calibre, do cacife de Limeira acabar, mas temos mais do que ganhar do que perder com tudo isso.

Você se coloca hoje no grupo de armadores da nova geração, aquela que vai substituir o Marcelinho Huertas, e conta com o Raulzinho, Ricardo Fischer, Rafael Luz?
Não, não… Preciso trabalhar mais. Preciso provar bastante coisa para bastante gente ainda. Treinei muito bem no ano passado, evolui taticamente, conheci o jogo, mas não tive oportunidade. Talvez se eu tivesse tido oportunidade de jogar mais tempo seria diferente. Hoje até poderia me incluir nesta lista, mas ainda não. Este é um ano chave para mim, para eu emplacar e me colocar neste grupo de elite de armadores da nova geração.

Com Jefferson Campos, Brasília vem com elenco forte (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Com Jefferson, Brasília vem forte (Marcelo Figueras/FIBAAMERICAS)

Mais conteúdo sobre:

basqueteBrasíliaNBB