‘Imagino que ninguém na face da terra se sinta seguro’, diz Alana Gonçalo, do Ituano
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‘Imagino que ninguém na face da terra se sinta seguro’, diz Alana Gonçalo, do Ituano

Para seguir jogando em meio à pandemia, armadora afirma que redobrou os cuidados e elogia atitude de Blumenau, que teve atletas infectadas pela covid-19 e preferiu não entrar em quadra

Marcius Azevedo

13 de maio de 2021 | 16h57

A Liga Feminina de Basquete viveu um episódio complicado recentemente com o Blumenau, que perdeu dois jogos por W.O. por causa de casos positivos da covid-19 no elenco. A situação da pandemia é uma preocupação entre as jogadoras. Armadora do Ituano, líder da LBF, Alana Gonçalo afirmou em entrevista ao blog que não sente 100% segura, mas que redobrou os cuidados para seguir entrando em quadra.

A jogadora de 26 anos comenta ainda sobre sua primeira experiência na Europa, não quer saber de assumir o favoritismo do Ituano e fala do futuro na seleção brasileira.

Como foi sua primeira experiência no basquete espanhol, pelo La Salle Mellila?
Foi incrível. Aprendi muito e acrescentei coisas ao meu basquete e, sem dúvida, tive uma grande evolução pessoal. A nossa equipe era muito jovem e eu era a mais experiente entre todas. E isso me deu um papel muito importante no grupo, coisa que não teria tão cedo na minha carreira por aqui.


Alana em ação pelo Ituano na LBF. Foto: Juca Ferreira/Divulgação

Na última temporada europeia tivemos um grande número de brasileiras por lá. Como você vê este movimento? Tem relação com o desempenho da seleção?
Acredito que tenha sim a ver com o desempenho da seleção brasileira, que é a nossa janela para o mundo. Isso para todas as jogadoras do Brasil, porque somos beneficiados pelos resultados. Vejo isso com bons olhos, as ligas da Europa normalmente têm uma quantidade muito maior de jogos em relação ao Brasil e, em muitos casos, a qualidade costuma ser boa, mesmo que não sejam as ligas principais. Como já citei, desenvolvemos um outro lado do nosso basquete, que talvez não conseguiríamos tão cedo aqui no nosso país.

Se vê mais madura para atuar novamente no Brasil? O que foi possível acrescentar em seu jogo?
Sim, me sinto mais madura neste início da Liga de Basquete Feminino e creio que a forma que vejo o jogo mudou bastante depois que voltei. Isso, certamente reflete nas minhas atuações no Brasil.

E o Ituano está na liderança da LBF… Como vê o momento da equipe? Podemos apontá-la como favorita?
A nossa equipe tem um elenco de muita qualidade e isso nos beneficia muito nos jogos, entretanto, estamos cientes de que temos muito a melhorar para conquistarmos o nosso objetivo. Não acredito que somos os favoritos nesse momento, o atual campeão sempre tem mais esse papel. O nosso respeito e favoritismo devem ser conquistados pouco a pouco.

Você se sente segura em seguir jogando com o momento da pandemia no Brasil?
Imagino que ninguém neste momento na face da terra se sinta seguro para fazer algo, porém temos redobrado os cuidados e estamos seguindo as normas e testando com frequência.

O Blumenau perdeu duas partidas por W.O. por causa de casos de covid… Talvez fosse o momento das equipes/jogadoras se unirem ainda mais para evitar situações como esta?
Blumenau tem todo o meu respeito pela atitude tomada, pois fez a coisa certa. Evitou que muitas outras pessoas corressem o risco de pegar o vírus e isso é uma atitude que deve se tornar exemplo para todo o esporte, não apenas o basquete. Acredito que a maior parte das atletas e dos clubes pensam como eu. Espero que esse resultado mude de alguma forma.

Você está na lista da Copa América… Como avalia seu momento da seleção?
Será um novo desafio depois de muito tempo sem vestir a camisa da seleção brasileira. Estou muito feliz e empolgada. Estamos com muita vontade de colocar em prática aquilo que melhoramos nesses últimos meses longe do selecionado nacional. Sem dúvida, estamos preparadas para esse novo desafio.

Já deu para digerir o fato de o Brasil não ter conseguido uma vaga para os Jogos de Tóquio?
Não ter conseguido a vaga para os Jogos Olímpicos deixou uma marca em nós, mas tenho certeza que isso servirá de motivação para seguirmos evoluindo e buscando o sonho olímpico.

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