“Me sacrifiquei em busca deste título”, afirma Leandrinho
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

“Me sacrifiquei em busca deste título”, afirma Leandrinho

Armador é peça importante no esquema do Golden State Warriors, que enfrenta o Cleveland Cavaliers na final da NBA

Marcius Azevedo

04 de junho de 2015 | 07h00

O Brasil tem um representante na final da NBA pelo segundo ano consecutivo. Depois de o pivô Tiago Splitter conquistar o título pelo San Antonio Spurs na temporada passada, Leandrinho tem a chance de repetir o feito. O Golden State Warriors, do brasileiro, faz o primeiro jogo da série melhor de sete contra o Cleveland Cavaliers, hoje, às 22 horas, na Oracle Arena, em Oakland.

Com 12 anos de experiência na liga norte-americano, o armador admitiu em entrevista exclusiva que está ansioso para entrar em quadra em um momento inédito na carreira. Leandrinho lamenta o fato da ausência de Anderson Varejão, lesionado, ter impedido um encontro entre brasileiros na decisão e indica qual precisa ser o comportamento da equipe para tentar parar LeBron James, astro do rival e derrotado por Splitter na última final, ainda pelo Miami Heat.

Depois de tanto tempo na NBA, qual o sentimento de alcançar uma final?
A realização de um grande sonho. São 12 anos de liga e ao longo desses anos, trabalhei duro, me sacrifiquei em busca disso. Espero poder colher os frutos com o Warriors e conquistar esse sonhado título.

Ano passado o Tiago Splitter foi o campeão, você será o segundo brasileiro com um anel da NBA?
Espero que sim, trabalhei muito forte durante toda a temporada, com treinos coletivos e individuais. Foram poucos os dias em que não fui para o ginásio à noite, treinar arremessos e realizar trabalho de prevenção.

Leandrinho é peça fundamental na defesa do Golden State (USA Today)

Leandrinho é peça fundamental na defesa do Golden State (USA Today)

É uma pena o Anderson Varejão, do outro lado, estar lesionado?
Fico orgulhoso de poder representar o Brasil na final mais concorrida do basquete mundial. Imagina se tivéssemos dois brasileiros em quadra…

Como fazer para minimizar o jogo do LeBron James?
É uma missão muito difícil, que com certeza exigirá um pouco a mais de todos nós. Temos que marcar com intensidade e muita atenção. Com o James Harden (na final da Conferência Oeste contra o Houston Rockets) já tivemos um baita teste de dificuldade. O LeBron é muito forte e talentoso, mas estamos trabalhando para fazermos o nosso melhor.

Onde você acredita que o Golden State pode surpreender?
As duas equipes puderam se estudar muito. É complicado pensar em um fator surpresa. Temos que manter nossa intensidade, nosso ritmo de jogo, nossa forma de jogar, dentro, como fora de casa. Penso que assim, teremos mais chance de conseguir conquistar o título. Temos um grande adversário do outro lado, mas, ao mesmo tempo, só nós sabemos o quão forte nosso time é e o quanto queremos este anel.

Como é jogar na Oracle Arena? É possível comparar com o apoio das torcidas de futebol do Brasil?
É diferente. O jogo é outro, o comportamento dos nossos fãs também é diferente do futebol. Mas basta ver nosso retrospecto em casa (46-3, incluindo os jogos dos playoffs). Dificilmente jogamos mal. É um trunfo a nosso favor. Podemos dizer que é nosso caldeirão.

Você compara o seu papel atual com o que exerceu no Phoenix Suns, quando foi eleito o melhor sexto jogador?
São times diferentes, estilos de jogo distintos. Eu participava mais do jogo ofensivo no Suns. Hoje, sou importante também na marcação e sobretudo na velocidade da transição. Isso sem falar na idade, que pesa também. Há nove anos atrás, as coisas eram bem diferentes em todos os sentidos.

Ser o desafogo para os dois principais astros do time (Stephen Curry e Klay Thompson) exige ainda mais de você?
Não me considero um desafogo. Procuro dar alternativas ao nosso jogo. E isso varia bastante. Depende do momento da partida, do adversário, do próprio momento dos nossos jogadores…

Leandrinho registrou médias de 7,1 pontos por partida na temporada (USA Today)

Leandrinho registrou médias de 7,1 pontos por partida na temporada (USA Today)

A campanha do Golden State Warriors te surpreendeu de alguma maneira?
Não. Pode parecer suspeito eu falar agora que sempre acreditei que chegaríamos até esta final, mas é a pura verdade. Desde que conheci o projeto do time, desde que comecei a trabalhar com esse grupo, tinha a certeza de que poderíamos fazer história. Foi tudo muito bem planejado e as coisas aconteceram como queríamos. Agora chegou a hora de escrevermos este capítulo final.

Qual o segredo desta equipe? Muito se fala da união do grupo, da relação de vocês fora de quadra, com muitas brincadeiras, inclusive pagando contas em restaurantes…
Risos… Realmente somos uma equipe muito unida. Todos se dão muito bem dentro e fora das quadras. E eu acredito bastante no fator entrosamento, acaba fazendo a diferença em alguns momentos. Mas nossos méritos vão além de nossa união. Somos um time muito comprometido, equilibrado, com jogadores que se completam.

Como é o trabalho do Steve Kerr? Ele realmente é um dos melhores treinadores da NBA?
Ele nos ajudou demais durante toda nossa temporada regular e tem sido decisivo agora nos playoffs. Acho que por ter sido jogador, ele nos passa um conhecimento extra que serve em algumas horas. Acreditamos muito em tudo que ele nos passa, pede, orienta e com isso, conseguimos evoluir a cada jogo.

É possível comparar com outros treinadores com quem trabalhou?
Não seria legal da minha parte. Trabalhei com grandes treinadores, cada qual ao seu estilo. Fico feliz por ter aprendido tanto com caras tão vencedores e experientes.

Individualmente, qual avaliação faz da sua temporada?
Acho que foi uma boa temporada. Apesar de toda a desconfiança e de alguns momentos de oscilação, consegui ser importante para nosso time, acredito. Além dos pontos, das assistências, da velocidade que posso dar ao jogo, tem a questão da experiência, sou o mais velho do time. Eu era o único jogador do elenco que já tinha chegado em uma final de conferência. Isso ajuda bastante em um grupo jovem como o nosso.

O fato de ter feito pré-temporada foi fundamental para ter um bom desempenho?
Sim, com certeza. Pude me preparar com mais calma e foco. Cheguei bem na temporada regular, preparado para aguentar o ritmo.

Para finalizar, vamos falar de seleção. A Fiba promete divulgar no dia 30 de junho se o Brasil vai ter vaga direta nos Jogos Olímpicos. Se o Brasil tiver de classificar pela Copa América, você pretende jogar? O Rubén Magnano conversou com você sobre isso?
Me encontrei com o Magnano aqui nos Estados Unidos e nosso papo foi muito bom. Estou no aguardo dessa definição, sempre estando à disposição da seleção. Sempre é uma grande honra para mim, defender nosso país.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: