Michael Jordan, enfim, se tornou um ativista?
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Michael Jordan, enfim, se tornou um ativista?

Figura apolítica no passado, ex-jogador agora tem equipe na Nascar com único piloto negro e apoiou protestos dos atletas da NBA

Marcius Azevedo

23 de setembro de 2020 | 18h02

‘The Last Dance’, série da Netflix vencedora do Emmy, recolocou nos holofotes um Michael Jordan apolítico, que não queria ter uma imagem além da de jogador de basquete. Apesar de dizer que não mudaria o posicionamento que foi apresentado no documentário que relata os bastidores de sua última temporada pelo Chicago Bulls, o ex-atleta, enfim, está tomando um caminho no sentido contrário.

A faceta ativista do MJ será apresentada na Nascar. O ex-jogador terá uma equipe na principal categoria americana de Stock Car e contratou o único piloto negro do grid, Bubba Wallace, que está na categoria desde 2017 e tem voz atuante em protestos antirracistas.


Michael Jordan sempre foi uma figura apolítica. Foto: Chuck Burton/AP

“Historicamente, a Nascar tem lutado contra a diversidade e há poucos proprietários negros. O momento parecia perfeito, pois a Nascar está evoluindo e abraçando cada vez mais as mudanças sociais”, afirmou Jordan, que se tornou o único proprietário negro na Nascar desde Wendell Scott, que dirigiu seu próprio carro entre 1961 e 1973.

Antes disso, Jordan já havia sido fundamental na negociação entre jogadores e equipes – é o dono do Charlotte Hornets – por ocasião do boicote liderado pelos jogadores do Milwaukee Bucks, em agosto. O time decidiu não entrar em quadra em um jogo dos playoffs da NBA como forma de protestar em relação ao episódio em que a polícia de Wisconsin atirou sete vezes pelas costas em Jacob Blake, um homem negro.

Naquela oportunidade, Jordan disse que ‘ouvir é melhor do que falar’ e defendeu o direito dos jogadores de protestar. Ele ainda conversou com Chris Paul, armador do Oklahoma City Thunder e presidente da associação de jogadores, e demonstrou sua admiração pela posição dos atletas.

A mudança de atitude acontece poucos meses depois de ele ser bastante criticado por uma situação que foi relembrada no quinto episódio da série da Netflix. O capítulo narra uma passagem de 1990, quando estava acontecendo uma disputa para o senado na Carolina do Norte entre o então republicano Jesse Helms e o desafiante democrata Harvey Gantt, que era negro.

MJ não aceita apoiar publicamente Gantt e ainda brinca ao dizer que ‘republicanos também compram tênis’ em uma conversa no ônibus com Horace Grant e Scottie Pippen.

“Minha mãe me pediu para fazer um PSA (anúncio de serviço público, da sigla em inglês. Uma espécie de campanha política) para Harvey Gantt e eu disse: ‘Olha, mãe, eu não vou falar bem de alguém que eu não conheço. Mas eu vou fazer uma contribuição para apoiá-lo’. E foi o que eu fiz”, afirmou Jordan, em maio, pouco depois do episódio ser exibido. Na mesma entrevista, o astro elogia Muhammad Ali “por defender o que ele acreditava” e reafirma sua posição: “Nunca pensei em mim como ativista”, disse.

Se Jordan se tornou, de fato, um ativista, só o tempo pode responder. As últimas atitudes já são dignas de aplausos.

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