Passou da hora da ferida ser estancada
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Passou da hora da ferida ser estancada

Marcius Azevedo

14 de outubro de 2013 | 11h38

A primeira partida de times da NBA no Brasil, entre Chicago Bulls e Washington Wizards, que aconteceu no sábado, com vitória da ex-equipe de Michael Jordan, ficou em segundo plano.

As vaias da torcida para Nenê e Leandrinho, reforçada pelas palavras de Oscar Schmidt contra esses jogadores, e a reação deles deixaram claro que existe uma ferida aberta. A seleção brasileira, mais uma vez, voltou à pauta. Confesso que considero o assunto chato, recorrente, mas é uma situação que não posso deixar passar despercebida.

Ligar o fato de jogadores da NBA não defenderam o Brasil apenas ao patriotismo, algo que fez Oscar, não faz o menor sentindo. É ter um pensamento simplório demais. O pior é que “quase todo mundo” comprou essa ideia.

A primeira coisa que não podemos fazer é colocá-los em igualdade de condições.

Tiago Splitter poderia ter se esforçando um pouquinho para ir, estava inteiro, mas, desta vez, considero que ele agiu corretamente. O pivô, que sempre se apresentou, até em momentos em que sua vida pessoal era mais importante, teve uma temporada desgastante pelo San Antonio Spurs – foi derrotado apenas na final da NBA pelo Miami Heat – e ainda estava em processo de renovação de contrato com o time do Texas.

Anderson Varejão, jogador do Cleveland Cavaliers, estava se recuperando de uma embolia pulmonar, decorrente de uma cirurgia no joelho direito, que abreviou sua temporada, não tinha condições de ser convocado pelo técnico Rubén Magnano.

Principais alvos de Oscar Schmidt, Nenê e Leandrinho também estavam fora de combate por causa de lesões. Eles não estão pagando pelo vexame na Copa América da Venezuela, quando o Brasil perdeu os quatro jogos e agora terá de depender de um convite para disputar o Mundial da Espanha ano que vem. O passado condena os dois.

Vitor Faverani e Lucas Bebê quase nunca são citados, mas ambos tiverem de optar por ficar fora da seleção para tentarem entrar na NBA. O primeiro conseguiu acertar com o Boston Celtics, enquanto o segundo, selecionado no draft, fez bons jogos na Liga de Verão, mas sua equipe, o Atlanta Hawks, decidiu deixá-lo mais uma temporada na Espanha.

A parcela maior de culpa nesta história é da Confederação Brasileira de Basquete. Era o momento de proteger os jogadores e não jogá-los aos leões (leia-se colocá-lo como os culpados). Não existe um diálogo aberto, não há profissionalismo. Não são apenas os jogadores que precisam ter vontade de defender o Brasil. A CBB precisa também ter vontade de tê-los por aqui.

Há necessidade de um planejamento urgente. Magnano tem de definir quando vai querer, de fato, contar com os jogadores que atuam na NBA. A CBB tem de sentar com os times da liga norte-americana para conseguir uma liberação. Não adianta apenas ir lá, ouvir do jogador que ele deseja participar da seleção. Tem de pagar o seguro obrigatório.

Toda esta polêmica, neste momento, só serve para afastar o Brasil do convite para o Mundial. Embora reconheça que sou contra entrar pela porta dos fundos, a seleção brasileira ficar fora da competição pela primeira vez seria um desastre.

Nenê foi vaiado pela torcida na partida entre Washington e Chicago no Rio

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