Philadelphia 76ers, um time programado para perder
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Philadelphia 76ers, um time programado para perder

Estratégia de "tanking" promovida pela direção da franquia para tentar montar uma equipe forte gera debate na NBA

Marcius Azevedo

02 de dezembro de 2014 | 09h03

A saída dos principais jogadores, um grupo formado por jovens e escolhas no draft (loteria dos novatos) de atletas que não têm condições de defender o time… A direção do Philadelphia 76ers não admite publicamente, mas recorreu ao que os norte-americanos chamam de “tanking” para tentar construir um time vencedor.

A estratégia não é nova. Consiste em baixar o nível da equipe, acumular derrotas e, desta maneira, subir as possibilidades de conseguir boas escolhas no draft.

Os Sixers somam 17 derrotas na temporada com o revés contra o San Antonio Spurs, na noite de segunda-feira. A campanha 0-17 já é o pior início do Philadelphia na história da NBA e está próximo de bater o recorde do New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets) de 2009/2010, que começou aquela temporada com 0-18. Os próximos jogos da equipe são contra Minnesota Timberwolves (fora, quarta-feira) e Oklahoma City Thunder (casa, sexta-feira).

A campanha tem tudo para ser a pior da história da franquia, que tem um passado vitorioso. Os Sixers foram campeões em 1955 (como Syracuse Nationals), 1967 e 1983 e já tiveram jogadores lendários, como Wilt Chamberlain, Julius Erving e Moses Malone, além de Charles Barkley, Maurice Cheeks e Allen Iverson.

Michael Carter-Williams, o melhor jogador do pior time da NBA

Michael Carter-Williams, o melhor jogador do pior time da NBA

O processo de “tanking” começou mais claramente em 2013. E ganhou corpo nesta temporada.

O Philadelphia, por exemplo, optou por selecionar dois jogadores no último draft que não vão defender o time em um futuro próximo. O pivô Joel Embiid, terceira escolha, atrás apenas de Andrew Wiggins e Jabari Parker, que tem uma lesão no pé, e o croata Dario Saric, que joga na Turquia e renovou o contrato.

Além disso, o elenco conta com quatro rookies (novatos), três jogadores de segundo ano, dois com mais de dois anos de experiência na NBA e dois veteranos, Luc Mbah a Moute e Jason Richardson, sendo que o segundo está lesionado.

O “rebuilding”, termo utilizado por Joshua Harris, dono da franquia, para substituir o “tanking”, permite aos Sixers ter boas escolhas no draft e, ao mesmo tempo, controlar o teto salarial da franquia, abrindo a possibilidade de contratar alguma estrela de primeira linha. Desta maneira, ele espera ter uma equipe forte, capaz de brigar pelo título, em alguns anos.

O técnico Brett Brown e os jogadores, entre eles o melhor do time, o armador Michael Carter-Williams, ficam enfurecidos ao serem questionados, mas não podem lutar contra o processo de “tanking”. A equipe não perde porque quer, perde porque é ruim.

O comissário da NBA, Adam Silver, se mostra bastante desconfortável com o comportamento da direção do Philadelphia, mas revela estar de mãos atadas. Ele bem que tentou mudar as regras do draft. Não conseguiu.

“O que posso fazer?”, questionou recentemente. “As decisões de estruturar o elenco e planejar o futuro são da direção e dos donos das equipes. A NBA não tem uma solução para isso”, afirmou Silver, que rejeita usar o termo “tanking”. “Aquilo que chamam de tanking, no meu ponto de vista, tem de ser descrito como reconstrução (rebuilding)”.

A estratégia dos Sixers promete gerar muito mais polêmica até o final da temporada. Há muitas vozes revoltadas, mas, por enquanto, não há nada imediato que possa ser feito para mudar o destino traçado pela direção da equipe.

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