Refugiado camaronês encontra na Unifacisa oportunidade de concluir estudos e jogar basquete
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Refugiado camaronês encontra na Unifacisa oportunidade de concluir estudos e jogar basquete

Adrien Mouaha, de 24 anos, faz parte do elenco da equipe para o NBB temporada 2020-2021

Marcius Azevedo

06 de novembro de 2020 | 16h20

A temporada 2020-2021 do Novo Basquete Brasil (NBB), que começa na terça-feira, terá um representante de Camarões. Reconhecido como refugiado, Adrien Mouaha, de 24 anos, vai atuar pela Unifacisa. Mais do que isso: o jogador encontrou em Campina Grande, na Paraíba, uma maneira de conciliar o estudo com o esporte que mais ama.

Aos seis anos, Adrien e parte da sua família tiveram de fugir de Camarões e buscaram refúgio nos Estados Unidos, devido à perseguição política aos opositores do governo do Presidente Paul Biya. O jogador morou lá com sua mãe e os três irmãos até os 19.


Adrien Mouaha durante treino da Unifacisa. Foto: Gabriella Tayane/Unifacisa

Ele teve oportunidade de estudar na Lighthouse Christian School, em Nashville (Tennessee) e depois foi para uma faculdade júnior, em Miami, ficando lá por um ano até receber uma proposta para jogar no Equador. A experiência não deu certo. Adrien sentiu os efeitos da altitude. “Passava muito mal durante os treinos e jogos, acabei tendo que deixar essa oportunidade de lado”, explicou.

Como não podia mais voltar ao basquete universitário, Adrien contou com ajuda de André Brazolin para arrumar uma equipe no Brasil. Foi o técnico de Miami, Sam Greer, que apresentou o ex-jogador que cuida de um projeto chamado Anjos do Esporte, e o passo seguinte foi defender o São Bernardo.

“Foi um momento difícil. Joguei na segunda divisão do Campeonato Paulista. Me mudei para São Paulo. Durante os jogos, o Diego Dias (também jogador) me viu jogar, ele entrou em contato com Dudu Schafer, na época técnico do basquete Unifacisa, que me trouxe para Campina Grande”, relembrou Adrien.


André Brazolin com Adrien e Riquelme, que também fez parte do projeto em Paraisópolis. Foto: Arquivo Pessoal

Ao blog, Brazolin relembrou o episódio. “É um vitorioso não apenas no basquete, um exemplo de vida e superação. O pai foi morto na frente dele, ele teve de fugir. Quando o conheci, ele estava bastante enfraquecido, pensava até em se matar. Morou em rodoviária, foi ajudante de cozinheiro aqui no Brasil. Ele me procurou no Paraisópolis e eu o abracei, morou na minha casa”, afirmou disse o ex-jogador.

“A Unifacisa ajudou muito para ele estudar e agora está dando uma oportunidade para jogar. É o sonho dele. O Adrien é um cara formidável, fala cinco línguas e ele merece. Muitos me perguntam o motivo do meu projeto: ele é uma das respostas”, acrescentou.

Em Campina Grande, enfim, o jogador de Camarões pôde estudar e ainda jogar pela equipe. Bolsista integral, Adiren irá concluir o curso de sistemas de informação no final deste ano. Ele recebe ajuda de custo e moradia pagas pelo Centro Universitário.


Adrien estuda sistema de informação na Unifacisa. Foto: Gabriella Tayane/Unifacisa

“Eu sou muito grato pela oportunidade que a Unifacisa me deu, não só no esporte, mas principalmente na educação. Como refugiado e emigrante eu fui forçado a parar de estudar várias vezes e na Unifacisa estou tendo a chance de concluir um curso superior reconhecido, com grandes oportunidades no mercado de trabalho e ainda jogar o esporte que tanto amo. Graças a Unifacisa já penso além do esporte e planejo seguir minha carreira em sistemas de informação”, afirmou o camaronês.

O ala/armador se prepara para estrear no NBB. A Unifacisa estreia contra Campo Mourão, dia 12 de novembro, no Maracanãzinho. “Estou preparado e muito feliz em fazer parte de um time da elite do basquetebol brasileiro. É uma experiência muito boa, e estou aprendendo e melhorando como jogador todo dia”, disse Adrien.

REFUGIADOS

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirma que, até o final de 2018, mais de 70 milhões de pessoas foram forçadas a emigrar de seus países de origem, como resultado de perseguição, conflitos, violência ou violação dos direitos humanos. De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), atualmente o Brasil tem cerca de 43 mil pessoas reconhecidas como refugiadas.

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