Sob batuta de Scola, Argentina demonstra força na Copa América
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Sob batuta de Scola, Argentina demonstra força na Copa América

Na luta por vaga na Olimpíada, argentinos superaram Porto Rico e Canadá, os adversários mais temidos na Copa América

Marcius Azevedo

02 de setembro de 2015 | 07h51

Após perder para o Uruguai em uma partida lastimável, em que converteu apenas duas das 21 tentativas de três pontos, o Brasil sofreu, mas passou pela República Dominicana, na segunda partida pela Copa América. Mas o post não é sobre o time do técnico Rubén Magnano, que usa o torneio no México apenas para observar o comportamento de alguns jogadores, já que tem vaga garantida nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e não está com força máxima.

Scola, Campazzo e Laprovittola no Aeroporto de Buenos Aires

Scola, Campazzo e Laprovittola no Aeroporto de Buenos Aires

O tema do post é o desempenho da Argentina na competição, em especial do trio da foto acima. O registro foi feito no Aeroparque, em Buenos Aires, onde turistas e, claro, os próprios argentinos fazem fila para tirar fotos com os jogadores da seleção, mesmo que de papelão.

Os verdadeiros Luis Scola, Facundo Campazzo e Nicolas Laprovittola estão jogando um basquete consistente, de encher os olhos, lá na Cidade do México, capital mexicana.

A tarefa de conseguir uma vaga na Olimpíada é complicada (e será complicada até o último dia, já que apenas duas seleções vão se classificar pela Copa América), mas os argentinos, por enquanto, não estão sentindo o peso da ameaça de ficar fora do torneio em 2016.

As vitórias sobre Porto Rico (91 a 86) e Canadá (94 a 87), apontados como favoritos antes do início da competição, colocaram a Argentina como a seleção a ser batida.

Voltando ao trio da foto acima, Scola, o do lado esquerdo para quem não conhece, continua sendo um jogador que, no cenário do basquete Fiba, é um gênio (aqui vale abrir um parêntese antes que citem o erro ridículo ao tentar uma enterrada sozinho contra o Canadá, lembro que os gênios também erram).

O pivô, que vai para a nona temporada na NBA, agora pelo Toronto Raptors, registra médias de 22 pontos, 14 rebotes e cinco assistências nos dois primeiros jogos. Contra o Canadá, na terça-feira, ele anotou 35 pontos e pegou 13 rebotes.

Os números, claro, demonstram o quanto impressionante é o desempenho de Scola. Mas não é só isso. Ver o campeão olímpico jogar é prazeroso. O pivô é frio, eficiente e inteligente. A facilidade com que encontra espaço da defesa, seja para um arremesso ou passe milímetro, é inacreditável.

A inteligência se aplica também na arte de pegar rebotes. Scola parece estar sempre no lugar certo na hora certa, principalmente na tábua ofensiva para recuperar uma arremesso desperdiçado por um companheiro ou até por ele mesmo e dar mais uma chance ao ataque. Dos 27 rebotes que amealhou até aqui, dez foram ofensivos. É realmente impressionante.

Confira o desempenho de Scola contra o Canadá:

Sobre os outros dois da foto, Campazzo e Laprovittola estão sendo utilizados pelo técnico Sergio Hernández como muita inteligência, sempre separados, dando estilos diferentes ao time. A velocidade e visão de jogo de Campazzo impressionam, assim como a criatividade ofensiva de Laprovittola. Na defesa, ambos são incansáveis. O revezamento da dupla será fundamental para a Argentina manter o ritmo até o final da competição.

Além do trio da foto, claro, não podemos esquecer de Andres Nocioni. O veterano de 35 anos, campeão olímpico em Atenas-2004, assim como Scola, continua jogando em alto nível. Não à toa tem média de duplo-duplo até aqui: 14 pontos e 12 rebotes.

Se tudo correr dentro da normalidade, a Argentina vai ficar com uma das vagas para os Jogos Olímpicos e será um adversário duríssimo para o verdadeiro Brasil (não este que sofre na Copa América) na briga por uma medalha em 2016.

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