‘Temos a possibilidade de adotar outras medidas, como a bolha’, diz Ricardo Molina, presidente da LBF
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‘Temos a possibilidade de adotar outras medidas, como a bolha’, diz Ricardo Molina, presidente da LBF

Em entrevista exclusiva, o dirigente afirma que vai manter o formato da competição por enquanto, sempre com reuniões periódicas para tratar da pandemia da covid-19

Marcius Azevedo

22 de março de 2021 | 10h00

A Liga de Basquete Feminino, por enquanto, não pretende adotar o modelo de bolha para continuar com o calendário. A temporada teve apenas quatro jogos até o momento, com algumas partidas sendo adiadas por causa do momento complicado em relação ao novo coronavírus.

Em entrevista exclusiva ao blog, o presidente da LBF, Ricardo Molina, afirmou que todos os envolvidos com o torneio, equipes, comissão de atletas, conselho administrativo e diretoria, estão se reunindo constantemente para tratar do assunto. Com uma folga para cumprir o calendário, o dirigente ainda não vê como necessário mudar o formato da competição, mas admite ser uma possibilidade se mais restrições forem impostas.


Ricardo Molina entrega o troféu de campeão da LBF ao Sampaio Basquete, em 2019, última edição da competição. Foto: Matheus Marques/LBF

A Liga de Basquete Feminino tem tomada decisões pontuais, adiando jogos em blocos por causa da pandemia… Como isso tem funcionado?
A estratégia da LBF é a união. Temos nos reunido a cada três ou quatro dias com todos os envolvidos: equipes, comissão de atletas, conselho administrativo e diretoria. Cada um tem a oportunidade de colocar o cenário da sua cidade ou estado e/ou expor sua opinião. É uma didática que tem funcionado muito bem. Entendemos que damos um passo a cada dia e que tudo pode mudar a cada reunião. Decidimos sempre em conjunto, ouvindo todos e construindo uma mesma ideia para a LBF, prezando sobretudo pela segurança de todos.

Existe algum estudo para adotar algum sistema diferente, como o de bolha em sede fixa, para evitar adiar tanto o calendário da LBF?
Antes da pandemia, nós fizemos uma tabela muito tranquila, na qual cada equipe teria praticamente um jogo por semana. Porém, entendemos que temos uma folga no calendário, e podemos, à medida em que for possível, recuperar estes jogos adiados, principalmente em São Paulo, onde a logística beneficia as equipes e podemos ter mais de um jogo durante a semana. Se não houver essa liberação, temos sim a possibilidade de adotar outras medidas, como a bolha. Mas esta é uma opção que avaliaremos mais adiante, caso seja necessário.

Já foi registrado algum caso positivo da covid-19 entre atletas e profissionais envolvidos na competição?
As equipes entendem a seriedade do momento e adotam medidas rígidas em seus elencos para a prevenção e segurança de todos. O protocolo oficial da competição é um documento que foi discutido e aprovado por todos os clubes participantes. Até o momento, tivemos três jogos realizados, com todas as medidas de segurança. Nenhum teste feito pelas equipes e enviado à LBF teve resultado positivo. Isso reforça a preocupação do basquete feminino com um torneio realizado com muita segurança para todos.

Os clubes demonstraram algum tipo de preocupação com atletas que vão chegar da Europa e, com tantas restrições, podem até perder o torneio?
Sobre este ponto, existem dois assuntos diferentes. Primeiro: mantendo-se a tabela com turno e returno, os jogos adiados só poderão ser disputados pelas atletas que já estavam regularizadas na data original das partidas, não prejudicando, assim, nenhuma equipe. Quanto às jogadoras que ainda virão da Europa, elas passarão pelo protocolo de testagem exigido pela Liga. Entendemos que isso é extremamente necessário para a segurança das próprias atletas e do torneio.

A LBF trabalha com um data limite para cumprir o calendário, o que poderia ficar impraticável com tantos adiamentos?
Nosso planejamento, concebido em 2018, inicia a LBF no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e programa seu encerramento em 31 de agosto – esse é um compromisso da entidade com as equipes participantes, para que elas tenham um calendário completo anual, conciliado com a disputa dos torneios estaduais e regionais. Nós temos uma tabela programada para acomodar pausas para datas exclusivas da Seleção Brasileira, que deverá disputar a Copa América, além da Liga Sul-Americana de Clubes (que terá a participação da equipe carioca da Sodiê Doces/Mesquita/LSB-RJ). Neste momento, entendemos que ainda temos condições de manter o formato de disputa com turno e returno. Sendo impossível executá-lo, vamos nos reunir e decidir em conjunto por um novo formato (sendo a bolha uma alternativa). No entanto, ainda acreditamos em seguir com o plano original, desde que haja a maior segurança para todos os envolvidos.

Qual seria o impacto para LBF e clubes de mais uma temporada cancelada?
É muito triste não termos uma temporada, como aconteceu em 2020. Infelizmente foi necessário e sabemos que foi a melhor decisão para todos. Se a situação se repetir neste ano, vamos decidir com muita maturidade e, principalmente, com a união de todos em uma decisão consensual. Precisamos pensar em conjunto. Os impactos são sempre grandes, mas a saúde de todos é o que mais importa.

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