A batalha contra David Ferrer foi demais para Thomaz Bellucci
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A batalha contra David Ferrer foi demais para Thomaz Bellucci

Brasileiro começa bem, mas se perde pelo caminho e acaba derrotado pelo espanhol por 3 sets a 1. João Souza também dá adeus ao Aberto da Austrália

Mateus Silva Alves

20 de janeiro de 2015 | 17h01

Pelo segundo dia consecutivo, os favoritos ao título fizeram treinos de luxo em Melbourne. E não se enganem: haverá muitos desses treinos até o fim da primeira semana do Aberto da Austrália. Novak Djokovic passou sem sustos pelo esloveno Aljaz Bendene, Stan Wawrinka fez o mesmo contra o turco Marsel Ilhan, Serena Williams atropelou a belga Alison van Uytvanck e Petra Kvitova despachou a holandesa Richel Hogenkamp. Tudo conforme o roteiro. Assim como foi conforme o roteiro, lamentavelmente, a passagem de Thomaz Bellucci pelo primeiro Grand Slam da temporada. O canhoto de Tietê fez um primeiro set brilhante contra David Ferrer, mostrando todos os seus recursos tenísticos, que não são poucos, ao contrário do que pensam os que gostam de zombar dele. Com o passar do tempo, no entanto, Bellucci foi se perdendo e reduzindo o ritmo, coisa que um jogador como Ferrer não faz. É por isso que um é top 10 há vários anos e o outro nunca chegou lá. Para fazer parte da elite do tênis, não basta ter bons golpes, coisa que Bellucci tem (um bom saque, uma direita poderosa e uma esquerda incisiva). É preciso também ter a cabeça, o estômago e o preparo físico necessários para suportar longas batalhas sem se perder pelo caminho, e essas coisas ele não tem, como demonstrou mais uma vez em Melbourne.

Quanto a João Souza, ele fez o que se esperava dele diante de um jogador (Ivan Dodig) que tem melhor ranking e muito mais experiência em grandes eventos. O brasileiro lutou muito e perdeu por um placar digno. Não é pouca coisa.

O destaque: Victoria Azarenka

A bielo-russa tinha uma estreia complicada, contra a americana Sloane Stephens, que foi semifinalista em Melbourne há dois anos. Pois ela se impôs com enorme autoridade, autoridade da bicampeã que é. E mais: Azarenka, que foi destruída por lesões em 2014, disse depois do jogo que não sente mais dor nenhuma. Péssima notícia para Caroline Wozniacki, sua próxima adversária.

A zebra: Camila Giorgi

A italiana derrotou de virada a compatriota Flavia Pennetta, 12.ª cabeça de chave. Para quem disputa o Aberto da Austrália apenas pela terceira vez, sem nunca ter passado da segunda rodada, não está nada mal.

O papelão: Fabio Fognini

Por falar em Itália, o falastrão Fognini caiu logo na primeira rodada diante do colombiano Alejandro González, modesto 107.º colocado do ranking da ATP. E assim Fognini continua sendo mais famoso pelas confusões que arruma do que pelo tênis que joga (embora seja bastante talentoso).

O jogão: Gael Monfils x Lucas Pouille

Já na manhã brasileira, os franceses fizeram uma partida emocionante, cheia de grandes jogadas, decidida no quinto set. Monfils foi muito Monfils: reclamou, catimbou e, quando quis, jogou muita bola e empolgou o público australiano. Pouille até merecia ir mais longe no torneio, mas Monfils é garantia de diversão por pelo menos mais uma rodada.

O próximo dia

A segunda rodada do Aberto da Austrália terá, salvo alguma catástrofe, Rafael Nadal, Roger Federer, Andy Murray e Maria Sharapova cumprindo tabela mais uma vez. Vale a pena prestar atenção ao duelo entre os australianos Sam Groth e Thanasi Kikkinakis. O primeiro é um sacador maluco, recordista mundial da modalidade (263 km/h, marca que não é reconhecida pela ATP porque foi obtida em um torneio challenger), que pode complicar qualquer um se estiver com a pontaria em dia. O outro é um garotão que está dando os primeiros passos no mundo dos Grand Slams e parece promissor. O jogo ocorrerá por volta das 5 da manhã. E na categoria jovem australiano x grande sacador teremos ainda Nick Kyrgios contra Ivo Karlovic, este sim o recordista reconhecido pela ATP (251 km/h). O horário também é ingrato: por volta das 4 da manhã.

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