A experiência fez falta para três jovens talentosos
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A experiência fez falta para três jovens talentosos

Simona Halep, Eugenie Bouchard e Nick Kyrgios são eliminados em Melbourne por jogadores com mais rodagem

Mateus Silva Alves

27 de janeiro de 2015 | 17h01

Nick Kyrgios tem 19 anos e já chegou a duas quartas de final em Grand Slams. Aos 20, Eugenie Bouchard tem no currículo uma final de Wimbledon, enquanto Simona Halep, de 23, já disputou uma decisão de Roland Garros. Os três têm potencial para levantar vários troféus dos quatro maiores torneios do planeta no futuro (especialmente as duas moças, mais consolidadas no circuito), mas ainda lhes falta alguma coisa. A história foi assim: Halep não viu a cor da bola contra Ekaterina Makarova, Bouchard foi despachada sem dó por Maria Sharapova e Kyrgios levou uma aula de tênis de Andy Murray – que está jogando o fino, aliás. Não foi coincidência os três terem perdido para jogadores mais experientes. A falta de rodagem do trio fez-se notar nas quartas de final em Melbourne.

Halep fez uma partida horrível, tanto que levou um pneu no segundo set – coisa embaraçosa para a número três do mundo. Bouchard, tão talentosa quanto a romena, foi superada por uma Sharapova muito mais pronta para as grandes batalhas. E Kyrgios mostrou todo o seu potencial contra Murray, mas também mostrou sua imaturidade. Fez gracinhas em horas impróprias, arriscou quando não devia e não soube sair da armadilha que o escocês preparou para ele. Quanto mais o garotão australiano queria bater na bola, mais Murray “enrolava” o jogo com seu amplo repertório de golpes. Se for esperto, Kyrgios guardará essa partida como uma lição. Ele agora sabe que não basta bater na bola com força, coisa que faz muito bem, aliás. É preciso jogar mais com a cabeça do que com o braço. Caso faça direito a lição de casa que lhe foi passada pelo “professor Murray”, Kyrgios vai longe no tênis. Talento não lhe falta.

O destaque: Tomas Berdych
Não tem como não ser. O checo talvez esteja jogando na Austrália o melhor tênis de sua vida porque investiu na preparação atlética e está se movimentando muito bem pela quadra, coisa que antes não fazia. Do jeito que o grandalhão (1,96 m) bate na bola, se ele começar a correr como um baixinho vai ser difícil derrotá-lo.

A decepção: Rafael Nadal
Tudo bem que o craque espanhol já havia avisado que não estava em sua melhor forma e não se mostrou decepcionado com sua campanha na Austrália, mas de alguém como ele sempre se espera mais. Por razões que já são de domínio público, ele jogou com intensidade muito menor do que o normal e, contra um Berdych em grande fase, isso custou muito caro.

A surpresa: Ekaterina Makarova
A discreta russa, muito discretamente, chegou à semifinal pelo segundo Grand Slam consecutivo. É uma façanha e tanto, mas agora ela quer dar um passo além – para isso, terá de vencer Maria Sharapova. Jogadora muito consistente do fundo da quadra, Makarova está começando a deixar de ser uma zebra para se tornar uma das forças do circuito.

A esperança: Marcelo Melo
Ele e Ivan Dodig sofreram para derrotar Feliciano López e Max Mirnyi (foi preciso ir ao tie-break do terceiro set), mas chegaram às semifinais em Melbourne. Como eles são os cabeças de chave mais altos ainda vivos no torneio (as três duplas melhores ranqueadas já caíram), o mineiro se vê diante de uma ótima oportunidade de ganhar seu primeiro Grand Slam.

A próxima jornada
As irmãs Williams entram em ação nesta terça para provavelmente confirmar a semifinal em família. Primeiro (às 22h, de Brasília), Venus vai encarar a compatriota Madison Keys. Depois, Serena pegará a atual vice-campeã, a eslovaca Dominika Cibulkova. Mas a coisa deverá pegar fogo mesmo na chave masculina. Por volta das 2 da manhã, vão se enfrentar Stan Wawrinka e Kei Nishikori. Ou seja, o atual campeão do torneio e o vice do Grand Slam mais recente. Impossível arriscar um palpite – a única coisa previsível é que será um grande jogo. Depois, às 6h30, Novak Djokovic vai enfrentar o saque devastador de Milos Raonic. Nesse caso, há um favorito claro ­- o sérvio, evidentemente. O canadense vai ter de sacar demais, e por muito tempo, para ter uma chance de vencer o número um do mundo.

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