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Agora não falta mais nada a Roger Federer

Com a inestimável ajuda de Stanislas Wawrinka, o craque suíço conquistou a Copa Davis, último grande torneio que não tinha em seu currículo

Mateus Silva Alves

24 de novembro de 2014 | 21h28

Para falar sobre o título conquistado por Roger Federer e seus parceiros suíços na Copa Davis, o blog conta com a valiosa colaboração do companheiro (e quase xará) Matheus Martins Fontes, jornalista apaixonado por tênis e, apesar da reduzida idade, já com vasta experiência na cobertura de torneios pelas quadras do mundo:

“Após um 2013 frustrante, com derrotas precoces nos quatro Grand Slams, Roger Federer estava fadado aos inevitáveis rumores de aposentadoria. Ainda mais com as seguidas dores nas costas, também raramente notadas em sua magnífica carreira. Foi comum ouvir boatos de que o ex-número um do mundo penduraria a raquete neste ano, até por causa da chegada de dois novos herdeiros à família. Depois de tanto sucesso e de ser coroado o maior jogador da história do tênis tecnicamente, o que faria o suíço continuar a remar contra a maré? Resposta simples: a vontade de vencer.

Se ganhar demais fosse um pretexto para Federer abdicar do que sempre amou fazer, seguramente ele já teria motivos para ter parado há algum tempo. Possivelmente em 2009, quando levantou o inédito troféu no saibro de Roland Garros, sem Rafael Nadal na final. Ou meses depois, em Wimbledon, onde bateu o recorde de Pete Sampras de maior vencedor de Grand Slams em simples. E olha que depois daquele título ainda vieram mais dois. Isso sem contar os 21 troféus de Masters 1000 e as seis coroas do ATP Finals. Afinal, o que mais faltava ao homem da Basileia?

Veio 2014 e Federer começou tinindo. Com técnico novo (seu ídolo de infância, Stefan Edberg), de raquete nova e um astral totalmente diferente, ele surpreendeu os mais céticos. O suíço, no clichê do esporte, renasceu das cinzas. Aos 33 anos, exibiu de novo o arsenal que o levou a dominar o ranking por mais de quatro anos (de fevereiro de 2004 a agosto de 2008) e foi quem mais ganhou partidas na temporada – 73, sendo 17 delas contra tenistas top 10 e três contra Novak Djokovic. De quebra, terminou o ano como número dois do mundo. E, para comprovar que 2014 era um ano de mudanças, Federer não priorizou o circuito individual e a Copa Davis, antes menosprezada, tornou-se um grande objetivo. Com uma ajudinha do destino.

As poderosas Espanha, Sérvia e República Checa caíram logo na primeira rodada do Grupo Mundial e a chance de levantar o único grande troféu que não tinha em sua estante (e inédito para seu país) cresceu. A possibilidade ficou tão real que Federer abriu mão da decisão do ATP Finals para disputar o confronto diante da França fora de casa, mesmo no sacrifício. Nem mesmo a desavença com Stan Wawrinka após a semifinal do torneio de Londres prejudicou o ambiente no banco vermelho de Lille.

Para falar a verdade, Federer precisou muito no fim de semana da ajuda do companheiro, que sempre defendeu seu país, mesmo nos piores momentos. No primeiro dia, Stan ‘The Man’ aniquilou o número um francês, Jo-Wilfried Tsonga, e nas duplas foi ainda mais audacioso, com pancadas que ‘furaram’ Julien Benneteau e Richard Gasquet, ofuscando, assim, a pífia apresentação de Federer contra Gael Monfils no primeiro dia.

Mesmo sem apresentar seu melhor nível, Federer findou o jejum no domingo com atuação segura diante do frágil Gasquet, o ponto fraco dos anfitriões. A deixadinha precisa a poucos metros do lado de lá da rede o tornou um dos únicos três jogadores a vencer o Golden Slam (os quatro Grand Slams e a medalha de ouro olímpica) e a Copa Davis na Era Aberta, junto com Andre Agassi e Rafael Nadal. Após o ponto final, todo coberto de saibro e com lágrimas nos olhos, ele até tentou minimizar o feito, gesto dispensável de humildade.

De um jeito ou de outro, Federer, mesmo sem ser brilhante, conseguiu agarrar uma chance que ele sabia que dificilmente voltaria a ter. E só o fez porque não faria sentido terminar sua trajetória sem um dos mais importantes troféus do tênis. E agora, o que mais sobra? Pergunta desnecessária para quem segue a estrada só pensando no que todo campeão aspira: vencer”.

 

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