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Bellucci dá indícios de que vai virar gente grande em 2015

Campanha no ATP de Viena chegou ao fim nas quartas de final, mas o desempenho na Áustria foi animador

Mateus Silva Alves

17 de outubro de 2014 | 17h29

Salvo em caso de uma extraordinária surpresa, a temporada de 2014 não entrará para a história do tênis como aquela em que Thomaz Bellucci voltou a brilhar. Ele ainda está longe do tempo em que ficou às portas do grupo dos 20 primeiros colocados do ranking da ATP – isso ocorreu em 2010, a propósito. Mas o canhoto de Tietê deu neste ano sinais de que pode voltar a ser um jogador importante no circuito. Sinais um tanto discretos, é verdade, mas ainda assim animadores. Vamos a eles.

É evidente que o melhor momento de Bellucci no ano (e um dos melhores de sua carreira) foi a vitória sobre a Espanha na Copa Davis. Tudo bem, o time espanhol não tinha Rafael Nadal, David Ferrer e mais vários outros jogadores de ponta, mas assim mesmo era o time espanhol. E, afinal de contas,  contava com tenistas muito melhor colocados no ranking do que Bellucci. Pois ele ganhou seus dois jogos – um deles de maneira incrível, salvando uma porção de match points -, colocou o Brasil de novo no Grupo Mundial e, no processo, contrariou dois dos vários estigmas que carrega desde que começou a se destacar: 1) Bellucci não joga bem na Davis; 2) Bellucci perde o rumo em jogos longos e de grande carga emocional.

Nesta sexta-feira, o paulista perdeu para Viktor Troicki nas quartas de final do ATP de Viena. Uma pena, já que o sérvio, um bom jogador, era um adversário “derrotável”. E também porque seu adversário na semifinal seria Andy Murray e é sempre bom jogar contra um dos chefões do circuito. Mas há mais prós do que contras na campanha de Bellucci na Áustria. Muito mais. Ele chegou às quartas de uma competição de elite e deixou pelo caminho um ótimo jogador em ótima fase, Feliciano López.

Na semana que vem, Bellucci vai participar do ATP de Valência. Um torneio fortíssimo, com gente como Murray, Ferrer, Kei Nishikori, Tomas Berdych e Marin Cilic. É improvável uma grande campanha, especialmente porque o paulista provavelmente terá de passar pelo qualificatório. Depois, o Masters 1000 de Paris, ainda mais complicado. Mas isso não é exatamente um problema, agora a fase para ele é a do “tudo o que vier é lucro”. Bellucci dá sinais de que está conseguindo aproveitar o embalo da sua façanha na Davis e isso pode fazer uma enorme diferença em 2015, que é no que ele tem de pensar agora.

Com seu vasto repertório de golpes, capaz de impor respeito até mesmo aos melhores do mundo, Bellucci tem as armas necessárias para ser no ano que vem aquilo que seus fãs (sim, eles existem) sempre esperaram. Não um “novo Guga”, porque isso jamais esteve ao seu alcance, mas um jogador capaz de entrar no grupo dos 20 primeiros do planeta e por lá ficar por um bom tempo. É pouca coisa? Claro que não. E Bellucci acredita que pode chegar lá? Agora, antes tarde do que nunca, ele começa a mostrar que sim.

 

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