Djokovic não é o número um do mundo por acaso
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Djokovic não é o número um do mundo por acaso

Mesmo sem jogar muito bem, o sérvio encontra um jeito de vencer Wawrinka e se classificar para a final do Aberto da Austrália

Mateus Silva Alves

30 de janeiro de 2015 | 16h56

Não foi o melhor jogo que Novak Djokovic e Stanislas Wawrinka poderiam oferecer ao mundo, conforme eles mesmos admitiram. A semifinal do Aberto da Austrália foi tensa, emocionante em vários momentos, mas houve erros demais, oscilações demais. Nenhum dos jogadores estava em um dia bom, mas o sérvio mostrou mais uma vez que tem o dom de vencer mesmo quando parece que vai perder, às vezes até mesmo quando merece perder. Dizem que isso é o tal espírito de campeão, e eu acredito.

Em muitos momentos da partida, Djokovic foi defensivo demais. No quarto set, ele não conseguiu um mísero winner, o que é embaraçoso para o número um do mundo. Mesmo no quinto set, que venceu por 6 a 0, o sérvio não foi brilhante. Ele simplesmente aproveitou os muitos vacilos de Wawrinka, e foi por isso que o jogo terminou com um pneu. Apesar de tudo isso, Djokovic vai em frente. Com sua incrível força mental, ganha quando joga bem e, quando joga mal, ganha também. Sejamos francos: Andy Murray tem feito um Aberto da Austrália melhor do que o de Djokovic. Daí a dizer que o escocês é favorito na final de domingo, no entanto, vai uma distância enorme. Murray vai ter de jogar muito para ganhar, enquanto Djokovic pode ganhar mesmo sem jogar muito.

Para Wawrinka, sobra a decepção, mas não só. Mais uma vez ele foi para as cabeças em um Grand Slam, o que prova que o título ganho no ano passado em Melbourne não foi um acidente. Mesmo perdendo algumas posições no ranking, o suíço está consolidado na elite do circuito.

A próxima jornada
Está tudo contra Maria Sharapova na final feminina, às 6h30 (de Brasília) deste sábado. Ela não vence Serena Williams desde 2004, tendo perdido 15 vezes para a americana desde sua última vitória. E não adianta a russa dizer que não vai levar esse retrospecto para a quadra, porque ela vai. Quando uma jogadora passa tanto tempo sendo surrada por outra, não há como não pensar nisso durante a partida. O problema de Sharapova é que seu plano de ação – bater na bola com o máximo de força – é o mesmo de Serena, mas a americana faz isso melhor. E a russa, como se sabe, não tem um plano B. Quando bater forte na bola não dá certo, sua alternativa é bater ainda mais forte. Ah, tem mais uma coisa: o saque de Serena é muito melhor do que o da rival. Se a americana estiver em um bom dia de saque, Maria não terá a menor chance.

Já que não tem recursos para variar o jogo, restam à russa três coisas: ser agressiva sem cometer erros (o que não é nada fácil, evidentemente), torcer para Serena sacar mal e se inspirar em Tomas Berdych. O checo, afinal, derrotou Rafael Nadal em Melbourne depois de 17 derrotas seguidas para o espanhol. Maria tem de entrar na Arena Rod Laver pensando que se Berdych conseguiu, ela também consegue.

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