As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Luzes e sombras sobre as melhores do mundo

As principais jogadoras do planeta estão se exibindo em Cingapura, embora não estejam enxergando muita coisa

Mateus Silva Alves

22 de outubro de 2014 | 01h14

As oito melhores jogadoras da temporada estão disputando o WTA Finals, em Cingapura, em  busca da última taça do ano (sem contar a Fed Cup, competição por equipes). E a história é a mesma de sempre: Serena Williams é a favorita com folga e as outras sete precisam contar com uma semana pouco inspirada da americana para ter chances realistas de título.

A liderança do ranking mundial está em jogo em Cingapura. Serena tem cerca de 500 pontos de vantagem para Maria Sharapova e corre algum risco de ver a rival terminar o ano como a número um do mundo. Risco pequeno, é verdade. A russa terá de vencer o campeonato e torcer para que a americana fique pelo caminho, o que é pouco provável. Especialmente porque Serena estreou com vitória sossegada sobre Ana Ivanovic.

Ainda que roube da americana a liderança, no entanto, Sharapova terá pouquíssimos argumentos para se justificar como a melhor jogadora do mundo. Qualquer um que acompanhe o circuito feminino com razoável atenção sabe que a superioridade técnica e física de Serena sobre a russa – e as demais competidoras – continua imensa e a lógica dos grandes torneios é a seguinte: se a americana está bem, ela vence; se ela não está, aí outra jogadora pode levantar o troféu.

O WTA Finals tem, além da disputa entre Serena e Sharapova, várias atrações valiosas, como as ótimas novatas Simona Halep e Eugenie Bouchard, duas grandes candidatas a campeãs de Grand Slam no ano que vem. Só tem um probleminha: as jogadoras não estão enxergando muita coisa em Cingapura.

A iluminação do ginásio em que está sendo disputado o torneio foi feita para deixar a quadra sob as luzes e o resto no escuro, como se faz no boxe. O resultado foi um desastre. Ao se movimentar para buscar bolas anguladas, as jogadoras saem da área iluminada e depois voltam, com óbvio prejuízo para a visão. Sharapova e Caroline Wozniacki já reclamaram abertamente e as outras deverão fazer o mesmo em breve. Na tentativa de criar um espetáculo mais atraente para o público (da televisão, é claro), os organizadores criaram um problema para as atletas. Eles não se deram conta de que, se o tênis for de alta qualidade (como é o caso no WTA Finals), o público não precisa de truques baratos de iluminação para se interessar. Menos, como sempre, é mais.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: