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Mais uma cruz para Rafael Nadal carregar

Mateus Silva Alves

07 de outubro de 2014 | 21h19

Em sua extraordinária autobiografia, provavelmente a mais brutalmente honesta que um atleta jamais escreveu, Andre Agassi descreve o espanto que experimentou ao enfrentar Rafael Nadal pela primeira vez. O mito americano conta que nunca havia encarado um jogador tão forte – mais do que isso, ele jamais havia visto um jogador tão poderoso fisicamente. Agassi, então já em fim de carreira (estamos falando de 2005), foi batido pelo espanhol, na época com 19 anos. Era quase uma covardia.

Nos nove anos que se passaram desde a explosão de Nadal no circuito, o mundo todo experimentou o assombro que tomou conta de Agassi naquela decisão do Masters 1000 do Canadá. A força física do espanhol parecia sobre-humana e não parecia haver nada capaz de deter aquela força da natureza. Mas havia, sim. O maior inimigo de Nadal, estranha ironia, era seu próprio corpo.

Nos últimos anos, Nadal machucou seus joelhos de várias maneiras e em vários graus de gravidade. Muitos dizem que isso é uma consequência natural de seu estilo brutal de jogo, e é provável que seja mesmo. Houve também outras lesões, como aquela no punho direito que o tirou da última temporada americana de quadras duras, com o Aberto dos Estados Unidos incluído. E agora surge um novo problema, um tanto inusitado: apendicite.

Nadal, que acabou de se recuperar do problema no punho, sentiu dores abdominais nos últimos dias e o diagnóstico foi desanimador. Os médicos que o atenderam em Xangai, onde ele está para disputar o Masters 1000 da cidade, disseram ao espanhol que é possível controlar o problema com o uso de antibióticos, mas especialistas no assunto garantem que essa é uma solução temporária e que mais dia, menos dia, Nadal terá de ser submetido a uma cirurgia. Mais uma cirurgia, aliás.

Apesar do contratempo, Nadal não desistiu do torneio chinês. Ele vai em frente, como já foi em frente em tantos outros torneios que venceu mesmo com problemas físicos que derrubariam qualquer jogador “normal”. Mas o espanhol não é “normal”, como Agassi descobriu no já longínquo ano de 2005. E não há como resistir a uma pergunta sem resposta: quantos títulos a mais Nadal teria se não fosse constantemente prejudicado pelas lesões?

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