O argentino ficou no quase. E chorou de desgosto
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O argentino ficou no quase. E chorou de desgosto

Leonardo Mayer teve em Xangai a chance de derrotar o maior jogador de todos os tempos, mas não conseguiu aproveitá-la

Mateus Silva Alves

08 de outubro de 2014 | 18h08

Leonardo Mayer tinha lágrimas nos olhos quando foi à rede para o cumprimento de praxe com Roger Federer, o sujeito que havia acabado de o eliminar do Masters 1000 de Xangai. Mais do que de tristeza, eram lágrimas de desespero. O argentino sabia que tivera em suas mãos uma oportunidade única de derrotar o maior jogador da história do tênis e que atirara essa chance pela janela. Não deve ter sido boa a noite de sono pós-jogo do rapaz, se é que ele teve uma noite de sono.

Do ponto de vista prático, a vitória não daria ao argentino muitos benefícios. Ele apenas se classificaria para as oitavas de final do torneio chinês, tendo ainda várias montanhas para escalar até chegar à final. Do ponto de vista moral, no entanto, o triunfo seria importantíssimo, talvez o mais importante de sua carreira. Mayer jamais venceu um jogador do porte de Federer e uma vitória sobre o suíço enche qualquer um de moral. Fora que, com um pouco de sorte, ele poderia dizer aos netos que jamais perdeu para o maior de todos (isso porque o jogo desta quarta foi o primeiro entre os dois e talvez eles jamais voltem a se enfrentar).

A realidade, no entanto, foi outra. Mayer teve cinco match points e não os aproveitou. Em um deles, uma tentativa de passada que parecia à prova de erro, já que Federer estava vendido na rede, a bola tocou na fita e castigou o argentino ao cair do seu lado da quadra. Até o genial suíço reconheceu que só ganhou a partida porque foi ajudado pela sorte. “Acho que foi a maior escapada da minha carreira”, disse Federer. “Foi sorte eu ter vencido. Vamos ser honestos, acho que ele merecia ter ganho.”

Merecia, mas não ganhou.  E vai carregar por um bom tempo esse jogo na cabeça. O desafio de Mayer agora é se apegar às coisas boas que fez na partida, que não foram poucas, para continuar seu movimento de ascensão. Aos 27 anos, o argentino vive o melhor momento da carreira. Em 2014, venceu seu primeiro torneio no circuito, o ATP de Hamburgo, e  ocupa atualmente a 25.ª colocação do ranking mundial, a melhor de sua vida (no começo do ano, ele era o 94.º colocado).

Tudo o que Leonardo Mayer não pode fazer de hoje em diante é jogar esse bom momento fora por causa de uma bola que tocou na fita e uma história a menos para contar para os netos. Mas que a sorte foi cruel com ele, isso foi. Pensando bem, ali, onde ele chorou, qualquer um chorava.

Com lágrimas nos olhos, Mayer recebe o cumprimento de Federer, quase um pedido de desculpas

Desnorteado, Mayer recebe o cumprimento de Federer, quase um pedido de desculpas

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