O mito Roger Federer mostra que também é humano
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O mito Roger Federer mostra que também é humano

Em uma jornada muito pouco feliz, suíço cai em Melbourne diante do italiano Andreas Seppi, para quem jamais havia perdido

Mateus Silva Alves

23 de janeiro de 2015 | 16h44

E aconteceu o pior – para os fãs de Roger Federer, é claro. O suíço, muito provavelmente o melhor jogador da história do tênis, caiu na terceira rodada do Aberto da Austrália diante do 46.º colocado do ranking da ATP, um jogador que ele havia derrotado dez vezes em dez confrontos. Os apressados, e eles são muitos, já devem estar espalhando por aí que Federer está acabado e que é hora de ele voltar para a Suíça e cuidar de seus quatro filhos. Tremenda besteira. O cidadão mais famoso da Basileia continua sendo um jogador extraordinário, em ótima forma física – a prova disso foi seu excelente desempenho na temporada de 2014. Ele apenas não carrega mais a áurea de invulnerabilidade que carregava até pouco tempo atrás, o que é natural para quem tem 33 anos.

Federer não deu desculpas furadas para sua derrota. Não culpou o calor, o vento ou um calo na mão. Ele disse que não conseguiu jogar bem e que Andreas Seppi fez uma ótima partida, simples assim. E aí é que está a questão: os jogadores que enfrentam Federer hoje em dia sabem que têm alguma chance de vencer, mesmo que pequena. Há alguns anos, o italiano pisaria na Arena Rod Laver já conformado com a derrota. Em 2015, Seppi entrou em quadra pensando que se o suíço jogasse mal, e ele fizesse tudo direitinho, talvez desse pé. E deu. Não façamos drama: nos próximos torneios, Federer continuará sendo um dos favoritos e não será surpresa se ele levantar alguns belos troféus nesta temporada, talvez até em Grand Slams. Mas não será surpresa também se ele sofrer mais alguns tropeços como o desta madrugada. O genial suíço não está pior, apenas mais humano.

O destaque: Eugenie Bouchard
A loirinha canadense passou por cima da francesa Caroline Garcia, uma jovem de muito futuro, e continua inabalável em sua corrida rumo às rodadas finais. Bouchard deverá pegar Maria Sharapova nas quartas e isso não é uma boa notícia para a russa.

O sortudo: Nick Kyrgios
O garotão australiano, maior esperança da torcida da casa, deu sorte por enfrentar Malek Jaziri, da Tunísia, na terceira rodada – e venceu por 3 a 0. E deu ainda mais sorte ao escapar de Roger Federer nas oitavas. Convenhamos, é bem menos assustador para um jogador jovem encarar Simone Bolelli do que o suíço.

Os favoritos. Bruno Soares e Sania Mirza
O brasileiro e a indiana estrearam nas duplas mistas com vitória apertada sobre a húngara Timea Babos e o americano Eric Butorac. Cabeças de chave número um e campeões do último Aberto dos Estados Unidos, Bruno e Sania têm boas chances de ganhar mais um Grand Slam.

O jogão: Grigor Dmitrov x Marcos Baghdatis
Foi uma maravilha ver dois jogadores tão talentosos medindo forças. O jogo teve nível técnico altíssimo e incrível variação de golpes: winners de direita e de esquerda, slices, curtinhas, voleios, grandes saques… Pena que Baghdatis não teve fôlego para levar a briga às últimas consequências no quinto set.

A próxima jornada.
Novak Djokovic vai encarar Fernando Verdasco, jogador que foi à semifinal do torneio em 2009, mas que já não vive seu melhor momento. De qualquer forma, deve dar mais trabalho ao sérvio do que os adversários anteriores (o jogo será às 6h, pelo horário de Brasília). Vale a pena ver como Stan Wawrinka se sairá contra o finlandês Jarko Nieminen (por volta das 2 da manhã) e a ótima forma de Petra Kvitova, que deverá atropelar a americana Madison Keyes (por volta das 9 da manhã). Para quem gosta de maratonas, o jogo entre David Ferrer e Gilles Simon tem tudo para ser um deleite (às 6 da manhã). O espanhol e o francês correm muito e adoram jogos longos. Será um choque se algum deles vencer em três sets rápidos.

Imagem do dia

Federer deixa a quadra após a derrota para Bolelli. Um choque para o mundo do tênis

Federer deixa a quadra após a derrota para Seppi. Um choque para o mundo do tênis

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