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Os Estados Unidos têm uma nova esperança

Madison Keys, semifinalista em Melbourne aos 19 anos, é candidata a carregar o tênis americano nas costas nas próximas temporadas

Mateus Silva Alves

28 de janeiro de 2015 | 16h54

Os Estados Unidos vivem um momento de crise no tênis – e um momento bem longo, aliás. No circuito masculino, o cenário é desolador. O último americano a conquistar um Grand Slam foi Andy Roddick, que até já parou de jogar. Não há atualmente nenhum jogador do país entre os 20 primeiros do ranking – o melhor é John Isner, 21.º. No circuito feminino, os Estados Unidos vivem há muitos anos do brilho das irmãs Williams, especialmente de Serena – mas ela não vai jogar para sempre, obviamente. Por isso, cada vez que surge alguma promessa o mundo do tênis americano entra em polvorosa. A bola da vez agora é Madison Keys.

Aos 19 anos, ela chegou na Austrália à sua primeira semifinal de Grand Slam, o que é uma grande façanha. Vai ser difícil ir mais adiante, já que sua próxima adversária será Serena, hoje uma jogadora muito mais forte do que Venus (muito mais forte do que qualquer outra, para falar a verdade). Mas isso importa pouco agora. O mais importante é que Keys mostrou um potencial enorme, com golpes sólidos do fundo da quadra, agressividade e surpreendente cabeça fria para encarar uma longa batalha com a veterana Venus mesmo com uma perna avariada por uma lesão muscular. Para o tênis americano, o que conta de verdade não é o que a moça fará contra Serena, nem na final, se chegar lá. O que conta mesmo é o que ela conseguirá fazer depois do Aberto da Austrália. Madison Keys será capaz de fincar os pés na elite do tênis ou sua campanha em Melbourne será apenas um brilhozinho passageiro? O tempo dará a resposta.

O destaque: Stan Wawrinka
O jogo entre o suíço e Kei Nishikori prometia ser uma longa guerra, mas não foi por “culpa” de Wawrinka. Ele jogou demais, especialmente nos dois primeiros sets, quando sua esquerda desconcertou o japonês. O atual campeão só vacilou no tie-break do terceiro set – e por pouco não pagou caro por isso. Seja como for, uma vitória em sets diretos sobre Nishikori é uma tremenda demonstração de força.

A poderosa: Serena Williams
Dominika Cibulkova queria fazer contra a número um do mundo o que havia feito contra Victoria Azarenka. Ou seja, dominar o jogo à base de correria, garra e ataques certeiros. Mas Serena não deixou. Extremamente agressiva, ela atacava a eslovaca logo no começo dos pontos – e deu um show no saque e nas devoluções. Serena fez a atual vice-campeã parecer uma juvenil jogando contra uma adulta.

O poderoso: Novak Djokovic
O plano de Milos Raonic era destruir o número um do mundo com seus saques, mas não funcionou. O sérvio teve o controle do jogo o tempo todo, a começar por suas devoluções de serviço, sempre espetaculares. Além disso, Djokovic sacou muito bem. Continua no ar a sensação de que vai ser difícil ele não ganhar seu quinto título do Aberto da Austrália.

A próxima jornada
O fim da festa se aproxima, mas ainda há muito tênis a ser jogado em Melbourne. Os trabalhos serão abertos hoje por Marcelo Melo e seu parceiro, o croata Ivan Dodig. Às 22h (de Brasília), eles vão disputar um lugar nas semifinais com os franceses Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut. E vão jogar na condição de favoritos. À meia-noite e meia, começam as semifinais femininas. Primeiro, vão se enfrentar as russas Maria Sharapova e Ekaterina Marakova. Depois, as americanas Serena Williams e Madison Keys. A lógica e o ranking indicam vitórias de Sharapova e Serena, mas que não se descarte alguma surpresa, especialmente no duelo russo. Às 6h30, Andy Murray e Tomas Berdych farão a primeira semifinal masculina. Será fascinante ver o duelo entre as manhas e as variações do escocês e a força bruta do checo.

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