Tem gente querendo fazer o tênis ficar menor
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Tem gente querendo fazer o tênis ficar menor

Roger Federer e Lleyton Hewitt farão em janeiro uma partida de exibição com novas regras, que tornam os jogos mais curtos

Mateus Silva Alves

25 de novembro de 2014 | 20h58

Roger Federer, agora com o status de campeão da Copa Davis, e Lleyton Hewitt farão em janeiro um jogo de exibição que merecerá ser visto com muita atenção. Tenho de confessar que não sou um grande fã desse tipo de partida, em que na maioria das vezes os jogadores se preocupam mais em fazer gracinhas para o público do que em mostrar um tênis de bom nível, mas o “amistoso” entre o australiano e o suíço será diferente. Bem diferente. Por iniciativa da Federação Australiana (o evento será em Sydney), serão testadas algumas regras novas. Quatro, mais precisamente. Serão elas:

1) O fim da vantagem quando um game chega a 40 iguais, exatamente como já é feito nos torneios de duplas;

2) O toque da bola na rede depois de um saque será permitido (como no vôlei);

3) O vencedor do set é o jogador que conquista quatro games;

4) A disputa de um tie-break quando um set fica empatado por 3 a 3.

Essas alterações, como é fácil notar, têm só um objetivo: tornar os jogos mais curtos. Os idealizadores argumentam que as mudanças serão boas para os amadores, que não têm muito tempo para dedicar ao tênis, e coisa e tal, mas não é nada disso, claro. O desejo é tornar o jogo mais interessante para as TVs, o que pode atrair mais patrocinadores e, por consequência, gerar mais dinheiro. Como sempre, dinheiro.

Federer disse que está ansioso para a experiência, e jamais diria outra coisa, já que foi convidado para o evento e aceitou tomar parte dele – seria deselegante falar qualquer coisa negativa, afinal. Quanto a mim, torço para que a coisa não seja levada adiante. Tornar os jogos mais curtos, como já aconteceu algumas vezes no vôlei, é para quem se preocupa mais com os aspectos comerciais do que com a paixão dos fãs pelo mundo afora. Se você gosta muito de uma coisa, não vai querer que essa coisa dure menos, certo? Me parece muito lógico.

BELLUCCI

Thomaz Bellucci anunciou que não vai mais trabalhar com o espanhol Francisco Clavet e que procurará agora um novo treinador, provavelmente um brasileiro. Toda sorte a ele, mas a sua enésima troca de técnico é um sinal de que o talentoso canhoto não consegue mesmo encontrar um caminho para construir uma carreira que faça justiça a seu potencial. E, a essa altura dos acontecimentos, é cada vez menos provável que ele um dia encontre.

 

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