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31 de Outubro, o dia em que a Tecnologia espantou os fantasmas do futebol.

Alejandro Silva, em pleno Hallowenn, ao cobrar a penalidade máxima decisiva e que colocou o Lanús na final da Libertadores em 2017, espantou, de vez, qualquer temor em direção ao uso da tecnologia no futebol, que só vai torná-lo mais justo, sem mexer no componente emotivo.

Maurício Capela

01 Novembro 2017 | 17h33

A tecnologia entrou de vez em campo. Calçou as chuteiras, colocou o uniforme e como se isso já não fosse suficiente, resolveu decidir em um gesto de pura ironia a vaga do primeiro finalista da Copa Libertadores de América de 2017. Que feito!

Agora, não há mais retorno para se desconsiderar a utilização do árbitro de vídeo. Definitivamente, não há! E os motivos são vários. A começar pelo nível da competição, a complexidade do torneio. Para qualquer profissional que milita no futebol na América do Sul, a Libertadores hoje é de longe o torneio mais complexo e, por consequência, o que mais chama a atenção.

É um trabalho difícil para os jogadores, dirigentes de clubes e das diversas entidades, jornalistas de maneira geral e, claro e principalmente, arbitragem. Um erro ali e o destino daquela agremiação pode ser alterado para todo sempre na disputa do torneio.

A terça-feira, portanto, dia 31 de outubro, não será mais conhecida somente pelo Halloween, dia do Saci, das Bruxas ou de qualquer outra figura do imaginário coletivo das Américas. Deste 31 de outubro em diante, será o dia em que os fantasmas quanto ao uso da tecnologia foram todos convidados a se retirar. E saíram!

Alejandro Silva, do Lanús, ao chutar àquela bola em direção ao goleiro German Lux, do River Plate, não estava somente dando um passo em direção à final da Libertadores, mas entrando para a história. Não somente pelo feito em si, o quarto gol em um jogo cuja equipe estava perdendo por 2 a 0, mas por mostrar que sim é possível manter o nível de interesse no esporte e aplicar o recurso eletrônico. Uma coisa, em absoluto, não fere a outra. E foi o que aconteceu.

Centenário, o Lanús nunca foi uma potência do futebol argentino. Foi somente no século XXI que a história o transformou em um adversário perigoso, onde o divisor de águas se cristaliza na conquista da Copa Sul-Americana em 2013. Portanto, a virada em si já tem um contexto para lá de dramático, relevante e histórico para o Granate, apelido deste time com 102 anos.

Contudo, é inevitável observar o capricho do destino, que se traduz na hora em que a tecnologia resolveu entrar para a história do futebol sul-americano. O lance da penalidade, clara, por sinal, aconteceu aos 22 minutos do segundo tempo, em um momento em que o Lanús ganhava por 3 a 2 do River Plate, mas não levava a classificação para a final da Libertadores. Portanto, marcar ou não pênalti, e convertê-lo, passava a ter contexto decisivo e eletrizante em um jogo mata-mata.

O árbitro colombiano Wilmar Róldan, cioso do momento crucial do jogo, foi extremamente feliz ao pedir o recurso e mais, gerenciar o uso. A imagem de Róldan consultando o vídeo é emblemática. Mostra zelo, respeito e responsabilidade.

Muito embora tudo tenha transcorrido da melhor maneira possível, é quase mandatório também se perguntar… E se não houvesse o recurso de vídeo? Colocando de lado a seriedade do árbitro, que não deve entrar nesse exercício de futurologia, quantas e quantas vezes neste mesmo futebol sul-americano um juiz, seja ele qual for, não olhou as duas camisas antes de tomar uma decisão favorável a um ou desfavorável a outro? Quantas vezes?

Trocando em miúdos, o equilíbrio entre clubes menores e maiores no futebol passa, e muito, pelo uso da tecnologia. A utilização não só vai deixar o futebol mais emocionante, como mais justo também, ainda mais em um continente cujo senso de justiça permeia a sociedade utilizando como instrumento 11 camisas, uma bola e um campo. Um jeito, aliás, vintage tal qual Charle Miller trouxe o football ao Brasil.

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