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A América é dos Hermanos!

Ao faturar a Copa Sul-Americana, River Plate coroa ano quase perfeito do futebol argentino.

Maurício Capela

11 de dezembro de 2014 | 15h18

Tudo depende do ponto de vista… Tudo! Se  o ângulo de visão for estabelecido a partir do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, não tenha dúvida, o ano para o futebol brasileiro esteve longe de ser minimamente aceitável. Agora, se o campo de visão for calibrado a partir da “Calle Florida”, em Buenos Aires, 2014 foi quase perfeito…. Quase! Só não o foi, porque teve um alemão no meio do caminho, no meio do caminho teve um alemão. Na verdade, onze deles!

O futebol argentino, além de faturar o vice-campeonato na Copa do Mundo de 2014, colocando fim a um jejum de 24 anos sem ir à final do torneio, fez barba, bigode e “pelo” no continente.

Primeiro, porque ganhou a Copa Libertadores de América neste ano, com o San Lorenzo. E depois porque assistiu confortavelmente do Monumental de Nuñez, o River Plate abocanhar a Copa Sul-Americana na noite desta quarta-feira, já quase início da madruga de quinta-feira.

O domínio argentino neste ano chama a atenção, uma vez que economicamente o país também está longe do ideal, o que naturalmente contamina os clubes locais e o futebol. Além disso, o que se paga lá para técnicos e atletas também está longe do que se paga aqui para treinadores e jogadores. No Brasil, os vencimentos no mundo da bola andam salgados.

Mas mesmo diante de um cenário não muito favorável o futebol de lá mantém-se competitivo. Disputa títulos e continua revelando jogadores, principalmente os “enganches”, os meias. Um artigo raro no futebol brasileiro, que virou grande importador desse tipo de atleta da Argentina.

O último deles a surgir é Pisculichi, que não é exatamente uma revelação, porque afinal já tem seus 30 anos… Mas seu futebol foi tão bom nesta Copa Sul-Americana, que o ex-jogador do Argentino Jrs. já pode sonhar com dias melhores pela frente.

O fato é que mesmo sem tanto dinheiro para investir e ainda alvo do mercado europeu, assim como o Brasil, os clubes da Argentina encontraram um jeito e garantiram a supremacia na região em 2014.

Mas isso não significa que as agremiações brasileiras têm alguma lição a ser aprendida. Não, não é essa ideia. Significa apenas que existem outras fórmulas de se fazer algo bem feito, que necessariamente não envolva caminhões de dinheiro, contratações estratosféricas e contração de dívidas por parte dos clubes do País.

Em outras palavras, ainda que de vez em quando, faz bem olhar para o lado, principalmente quando o lado não demanda atravessar oceanos… Só pede mesmo uma olhadinha lateral, porque o lado é logo ali.

 

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