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A “grife” Oswaldo de Oliveira

O atual técnico do Palmeiras levou mais tempo que alguns colegas de profissão para ser reconhecido como estrategista e bom administrador de grupo, percepções que, inclusive, não guardavam relação com seus bons trabalhos dentro de campo.

Maurício Capela

20 de abril de 2015 | 15h36

Grife! Eis um adjetivo que virou moda no mundo da bola. Vez por outra tem lá alguma conotação irônica, mas quase sempre é empregado mesmo para separar o joio do trigo. Em outras palavras, se o sujeito tem “grife”, então, está pronto para figurar no rol dos grandes clubes brasileiros.

Mas nem sempre a “grife” chega para todos. Para alguns, o adjetivo faz questão de fazer vistas grossas, como se não visse méritos. Quer um exemplo? Oswaldo de Oliveira, o treinador do Palmeiras.

De assistente de Vanderlei Luxemburgo a treinador de ponta, Oliveira levou mais tempo do que outros colegas de profissão para ter vida própria reconhecida no futebol. Muricy Ramalho, que foi assistente de Telê Santana no São Paulo, teve, por exemplo, seus passos notados de maneira mais rápida que o atual comandante do Palmeiras.

Motivos? Talvez existam alguns, como o fato de Oliveira não ser talvez tão midiático como Luxemburgo, Felipão, Tite e o próprio Muricy. Mesmo não devendo nada, em termos de competência, aos citados e aos demais que atuam no futebol nacional.

Mas como tudo na vida, há que se dar tempo. E Oliveira soube usá-lo de maneira extremamente competente. Mesmo com títulos importantes logo no início de sua trajetória como treinador, como o Mundial de Clubes da Fifa em 2000, o atual comandante palmeirense entendeu rapidamente que se atualizar é preciso e que saber lidar com o ser humano é ainda mais relevante no mundo do futebol.

Talvez seu pior momento como treinador tenha sido em meados dos anos 2000, quando não conseguiu realizar grandes trabalhos em termos de conquistas. E é aí que entra na prancheta de Oliveira a atualização e o saber lidar com o ser humano.

Oswaldo de Oliveira soube ler o seu momento no futebol brasileiro e pelo jeito percebeu que havia perdido espaço nos grandes clubes do País. Foi então que acertadamente arrumou as malas em direção ao Japão, tomando contato com outra cultura, atualizando-se e aprofundando o conhecimento nas relações humanas.

De volta ao Brasil, emplacou um trabalho tático diferenciado no Botafogo, colocando dentro de campo um esquema de jogo que já dialogava com o que se utilizava na Europa. Depois, demonstrou lidar com o ímpeto da juventude, dosando as oportunidades às jovens promessas botafoguenses no time principal.

Sucesso no Rio de Janeiro, logo, Oswaldo de Oliveira voltou ao principal mercado do País, o futebol paulista. E pronto. Novo trabalho de muita competência no Santos tanto taticamente como no lançamento de novos atletas. Gabriel que o diga!

Agora, no Palmeiras, Oswaldo de Oliveira repete a dose e desembarca de maneira consecutiva à segunda final de Paulista. Um feito! Feito que coroa o desenvolvimento profissional de Oliveira e que coloca no banco de reservas a “grife” como critério de análise.

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