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A matemática do Paulista

Campeonato termina a primeira fase nesta quarta-feira e reforça a imperfeição de alguns pontos do regulamento, como a classificação geral, que é usada no rebaixamento, mas não na classificação para a segunda fase do torneio.

Maurício Capela

07 de abril de 2015 | 15h25

Uma rodada separa o fim da fase de classificação do Campeonato Paulista de sua etapa de mata-mata. E faltando apenas um jogo, o regulamento da competição novamente se mostra uma fórmula frágil.

Clubes como Audax, Mogi Mirim e até o atual campeão paulista, o Ituano, por terem desembarcado em grupos mais indigestos no Paulista estão fora da fase eliminatória, mesmo ocupando, respectivamente, a oitava, sétima e décima posição na classificação geral. Classificação essa que é usada para determinar quem disputará a segunda divisão do Paulista em 2016.

Portanto, de cara, já existem dois critérios dentro de um mesmo sistema de disputa, uma vez que a classificação geral servirá para o rebaixamento, mas não terá serventia para garantir a presença na fase de mata-mata.

Os clubes, claro, rubricaram a fórmula no início da temporada deste ano. E além de saberem de todos os detalhes, já tinham também conhecimento na prática como funcionaria o sistema de disputa, uma vez que a fórmula já foi usada em 2014.

Diante desse quadro, ninguém tem lá muito direito de espernear. Até porque, vejamos como alguns indicadores já davam alguma ideia de que o grupo C seria o mais fraco da competição e o B o mais forte, quando se soma os pontos conquistados dos participantes.

No C, de peso, somente havia o Palmeiras, uma vez que o Marília havia acabado de ascender à A-1 e a Portuguesa havia acabado de desmoronar em direção à Série C do Brasileiro. Já no B, estavam agrupados dois clubes da Série A nacional, Corinthians e Ponte Preta, além do Audax, dono de uma boa campanha em 2014, e o recém-promovido São Bento. Em outras palavras, haveria disputa.

Já no A, também poderia se imaginar que a disputa seria ferrenha por duas vagas. Afinal, o grupo tem o atual campeão Ituano, o São Paulo, o Mogi Mirim – clube de Série B – e o Red Bull Brasil, vice-campeão da A-2 e fiel à filosofia de clube-empresa.

No D, com a frieza dos números e retrospecto, também poderia se imaginar que a disputa pela segunda vaga seria ferrenha, uma vez que o Santos sobraria, como sobrou, na chave.

Pois é… E é justamente nessa quarta chave que se encontra a única vaga aberta à segunda fase do torneio: o XV de Piracicaba, que receberá o Corinthians em casa, disputa ponto a ponto com o Penapolense, que terá o São Bento também em seus domínios.

O curioso é que o Penapolense ao mesmo tempo que disputa uma vaga na segunda fase, olha também para a zona de rebaixamento. São dois pontos à frente do primeiro dentro desse indesejável grupo de candidatos à A-2, que neste momento é do Linense.

Ou seja, caso perca para o São Bento, além de dizer adeus à fase de mata-mata, o clube poderá voltar à segunda divisão estadual sem escalas.

Portanto, independentemente da continuidade ou não dos campeonatos estaduais pelo Brasil, o fato é que os torneios regionais precisam, primeiramente, zelar pelo sistema de disputa. Não se deve utilizar, por exemplo, a classificação geral para determinar o descenso e não usá-la para passagem de fase no torneio, como se faz no Paulista.

Por si só, isso já é uma imperfeição, que deveria ser corrigida para a próxima temporada. Um único critério para descenso e classificação é o mínimo. Mínimo até para se criar alguma lógica na disputa e retratar a meritocracia vista nos gramados desta primeira fase.

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