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A tecnologia venceu o clássico Atletiba

Argumentos à parte de federação, televisão, clubes e jogadores, uma vez que todos eles merecem ser ouvidos e debatidos, o episódio na Arena do Atlético Paranaense só demonstra que a tecnologia inexoravelmente vai mudar o futebol dentro e fora de campo; é uma questão de tempo.

Maurício Capela

20 Fevereiro 2017 | 15h17

Esqueça as federações estaduais de futebol, a televisão e até o futebol. O que aconteceu em Curitiba, a capital paranaense, foi o embate mais emblemático entre o velho e o novo dos últimos tempos. Sabe o velho? Aquele jeito antigo de ligar o rádio em casa, sintonizar a televisão, mexer insanamente no controle remoto à procura de algo que se resume à procura?  Pois é…

Na arena do Atlético Paranaense, por um minuto, o novo ameaçou surgir. Na verdade, ao longo de toda semana ele disse que apareceria, mas o barraram no minuto anterior ao apito inicial.

Mesmo sendo válida a discussão e a ponderação de argumentos, se foi a credencial, os interesses da televisão, a federação, enfim, mesmo sendo uma boa discussão, o que realmente importou foi a entrada do Inexorável de Almeida em campo, com o devido pedido de licença a Nelson Rodrigues e o seu imbatível Sobrenatural de Almeida.

Inexorável de Almeida não conseguiu amarrar a chuteira dessa vez, porque lhe tiraram os cadarços, mas ele está lá, com ela nos pés, pronto… Prontinho! Pronto para entrar em campo em algum momento, se não neste ano, certamente no próximo.. Se não no próximo, ah, certamente, no outro… E assim sucessivamente.

O que ficou claro é que não há ponto de retorno. Não há! Os “youtubers” que o digam.

A transmissão via “youtube”, “facebook” ou qualquer outro desse imenso arsenal tecnológico vai acontecer, quer queira, quer não. É inexorável, já diria o Almeida.

Ontem, na arena do Atlético, não deu. Não foi desta vez. Mas no momento em que ela entrar em campo, esqueça. Tudo vai mudar, mesmo não mudando de uma hora para outra. Tudo que envolverá a transmissão esportiva ganhará novo colorido, quando a transmissão via “streaming” chegar ao futebol no Brasil.

Poder assistir a um jogo via tecnologia vai dar vazão à inexorável interatividade desse universo. Hoje, todas as plataformas de comunicação tentam de uma forma ou de outra atender à participação da audiência, mas isso já não é suficiente. E por não atender, o jogo via “streaming” vai tirar o torcedor dessa linha limite entre o velho jeito de ver/ouvir futebol para esse inexorável novo modelo.

As proibições, ao contrário do que talvez se proponham, somente atiçam a sanha pelo consumo do diferente, no caso, do novo. Quaisquer proibições…

Portanto, não há como fugir, deixar para lá, ela vai acontecer. E quando acontecer a concorrência vai existir e modelos, até então campeões de audiência e comercial, sentirão o peso do verbo “competir”. E até certo ponto será irônico, pois no esporte a essência é “competir”. Mas isso também não é novo…, É velho, tão velho que o Barão de Coubertin, o pai dos jogos olímpicos modernos, já havia sentenciado “o importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”. Trocando em miúdos, compitam!