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A volta de Tite

Técnico vai encontrar um futebol brasileiro sem tanto dinheiro e ainda precisando se recuperar dentro de campo, após um ano nada bom de clubes e Seleção.

Maurício Capela

12 de dezembro de 2014 | 15h52

Adenor Leonardo Bacchi, convenhamos, já estava na hora… Na hora de vê-lo ali em pé, ao lado do banco de reservas de novo, lançando mão de palavras difíceis que em nada dialogam com a engenhosa, objetiva e focada tática que você empregou nas suas equipes.

Pois é, Tite! Depois de você usar tão bem a marcação “estilo futebol inglês” no sistema defensivo do Corinthians, todos se perguntam o que será que vem por aí?

Você descansou, até porque estava visível, quando dissestes “até logo”, que os três anos de Corinthians o consumiram. Dirigir e vencer em um time grande, do porte do Corinthians, sempre cobra um preço alto…  E à vista!

Mas você tem dito, claramente, que o ano sabático foi proveitoso. Conversou com treinadores de ponta, do seu nível, atualizou conhecimento, imaginamos todos tático e técnico, e agora estará de volta aos gramados do Brasil no ano que vem.

Que você é bem-vindo, não resta dúvidas, Adenor! O problema é que por aqui o cenário não mudou tanto assim, desde o seu “até logo”.

Os orçamentos dos clubes, você sabe, estão mais apertados do que o seu último período. Mas a paciência das grandes torcidas… Bom, essa está intacta, intacta em nível máximo de pressão.

Mas nesse enredo, você é autor. Conhece os “causos” e os percalços que o esperam.

O que se espera desse seu retorno, Tite, é que novas ideias surjam. Táticas mesmo! Anda-se carente por aqui de quem inova, de quem arrisca, ainda que leve pancada jogo após jogo… Àquelas do tipo, mas o time tem dificuldade para fazer gols ou carece de um volante mais marcador ou de que muita defesa não gera ataque… E por aí, vai…

O fato, Tite, é que parece piada, mas o abismo entre o futebol que se pratica lá, nos grandes centros da Europa, e o que jogamos por aqui aumentou. O fosso só se aprofundou nesses últimos 12 meses.

É claro que a maior parcela do crescimento dessa distância não pertence a vocês, os treinadores. É claro! Mas os técnicos que atuam no Brasil têm sim uma palavra a dizer sobre. Afinal, tudo se restringe à organização, categorias de base ou também temos uma cota de defasagem tática e técnica nessa contabilidade?

Portanto, Tite, você que detém o simbólico título de ter sido o último treinador brasileiro a derrotar um clube europeu no Mundial da Fifa, pode falar algo sobre… Melhor! Ideal mesmo seria se você nesse seu retorno demonstrasse já dentro de campo. É óbvio que isso leva tempo, exige dedicação, treino, empenho, inteligência, tudo isso e muito mais!

Mas há um seleto conjunto de treinadores brasileiros de ponta, vencedores, meritórios, capazes, no qual você faz parte, que têm algo a dizer. E a melhor forma de falar é demonstrar nos campos de jogo, porque a recuperação do futebol brasileiro passa pelas pranchetas e olhos desse seleto “clube de professores da bola”.

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