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As estradas de Santos

Alvinegro da Vila Belmiro deveria usar o Paulistão para arrumar as finanças e acertar o time, porque se chegar em crise no Brasileirão correrá riscos.

Maurício Capela

19 de janeiro de 2015 | 18h23

Dever. Eis um verbo que os clubes do futebol brasileiro têm conjugado à exaustão. Mas de todos, pelo menos nesse início de 2015, quem mais parece sentir os efeitos é o Santos Futebol Clube. A dívida do time de Vila Belmiro, de acordo com o balanço financeiro publicado no ano passado, referente ao desempenho de 2013, superou os R$ 170 milhões e o déficit foi de R$ 20 milhões. Os números do desempenho de 2014 deverão ser conhecidos até meados deste ano.

De presidente novo, Modesto Roma Júnior, o Peixe, claro, vai precisar nadar muito em 2015 para fugir de mares revoltos. Tem até contratado alguns jogadores neste começo de ano, que poderão ajudá-lo a ter tranquilidade dentro de campo, casos de Elano e Ricardo Oliveira, que com Robinho, deverão dar boa estabilidade ao time, mas a turbulência deverá ser inevitável.

O curioso é que não faz tempo… Até dois anos atrás o time de Vila Belmiro tinha uma das melhores equipes do Brasil e jogadores que eram desejados por clubes do País e do exterior. Tanto que muitos foram vendidos.

Além disso, o Santos tinha e tem uma categoria de base promissora, que vira e mexe disputa as finais das competições nacionais e estadual. E revela, se não craques em série, bons jogadores que caberiam não só no clube do litoral paulista, mas em outras equipes também.

Entender como o Santos chegou a esse nível de endividamento não é tarefa das mais fáceis. Assim como seria um erro fazer uma simplória conta somando os valores de venda de craques como Neymar Júnior e Paulo Henrique Ganso, ainda mais em tempos de direitos econômicos fatiados.

Contudo, seria interessante que essa nova diretoria alvinegra fornecesse uma explicação definitiva a respeito de como se construiu esse número nada agradável à torcida santista.

Até porque o Santos é um desses clubes que não pode repetir erros do passado. Nos anos 90, o clube atravessou uma crise gravíssima, que o alijou da disputa dos principais títulos. E mesmo o vice-campeonato brasileiro de 1995, que deveria ter sido título nacional, não foi uma obra construída jogador a jogador. O acaso, sim ele mesmo, também entrou em campo naquela campanha.

Mesmo o caneco incontestável de 2002 também contou com uma boa dose de ventos favoráveis. Diferente da geração Neymar, que foi sendo costurada a partir de 2010, até que o título da Copa Libertadores de América acabasse se transformando em uma realidade possível.

Ao Santos, a lição do planejamento colocada em prática nos últimos anos deve ser novamente escalada. De preferência, acompanhada de uma boa explicação sobre esse endividamento, que vai tirar a competitividade do time por um bom tempo, além de ter condições de colocá-lo em situação difícil em campeonatos com grau maior de dificuldade.

Em outras palavras, o Santos não deveria ter vergonha e usar o Paulistão para arrumar a casa dentro e fora de campo. O Campeonato Brasileiro não costuma ser gentil com equipes que fazem dele um laboratório. Costuma sim rebaixá-los.

 

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