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As propostas de Figo para Fifa

Ex-jogador português lança suas ideias em caso de vitória na eleição para presidente da Fifa, sendo que a mais polêmica seria a de aumentar o número de países participantes em Copa do Mundo para até 48 nações.

Maurício Capela

19 de fevereiro de 2015 | 15h44

As propostas, convém que se frise, ainda são ideias ao vento. Pensamentos que norteiam a candidatura do ex-jogador português Luís Figo ao posto de presidente da Fifa. No entanto, ainda que embrionárias, o ideário de um suposto mandato Figo na entidade máxima do futebol já merece uma dose de atenção.

Craque, naquilo que o termo melhor pode definir a carreira de um jogador, Figo ameaça dar uma canelada, algo raro em seus tempos de boleiro, caso vença o pleito contra o atual presidente Joseph Blatter ou o holandês Michael Van Praag ou o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein, no próximo dia 29 de maio.

Das principais propostas que Figo deu publicidade em Londres, na Inglaterra, a que mais chamou a atenção foi a de aumentar o número de seleções participantes em uma Copa do Mundo. Sob sua direção, a Fifa ampliaria das atuais 32 equipes para algo em torno de 40 países, podendo chegar até 48 nações.

Mesmo acenando que esse acréscimo não contemplaria as seleções da Europa, a simples discussão sobre o incremento no número de participantes em um Mundial já torce o nariz. Torce, porque já no atual quadro, o nível de competitividade decaiu.

Alguns jogos da Copa do Mundo disputada no Brasil em 2014 foram simplesmente sofríveis, como Irã e Nigéria ou Japão e Grécia. E partidas de nível técnico ruim não aconteceram somente envolvendo seleções mais desconhecidas. O confronto entre México e Brasil esteve também longe de apresentar bom futebol.

Na tese de Figo, receber mais times significaria acrescer três ou quatro dias a mais ao tempo já consumido pelo Mundial. Mas aqui o tempo é o menor dos senões.

Aumentar o número de países é abrir um precedente técnico perigoso, uma vez que naturalmente seleções sem qualquer qualidade terão a oportunidade de ir à Copa do Mundo, o que criará severas distorções ao torneio. Em outras palavras, em um horizonte maior, ou seja, mais seleções na competição edição após edição resultará em uma drástica queda no nível técnico de um Mundial, o que vai tirar a atenção que este evento é capaz de despertar a cada quatro anos.

Ampliar o número de seleções não privilegia o esporte. Pelo contrário! Tira valor do mesmo, ainda que a intenção possa ter a suprema boa vontade.

Mas tem mais. O ex-jogador ainda deseja que a Fifa gaste um bom dinheiro nas categorias de base, espalhadas pelo mundo. E o gerenciamento desse volumoso recurso ficaria a cargo das federações de cada país.

Admitindo que Luís Figo entenda que a Fifa tenha um papel fiscalizador na verificação do uso dessa dinheirama, ainda assim o ex-jogador sabe bem que o papel aceita tudo. Inteligente como é, logo perceberá que aumentar a distribuição de recursos para as federações não fará com que os países africanos, por exemplo, mantenham por um período maior suas revelações. E tampouco que Argentina, Brasil e Uruguai consigam fazer o mesmo. Nem Portugal, Ucrânia, Rússia e Itália também terão espaço para isso.

A ideia de distribuir mais recursos, na origem, poderia até ser benéfica, desde que a Fifa entrasse como força de indução. Ou seja, fomentasse conjuntamente os clubes, os ex-jogadores e os países em um desenho muito parecido com o adotado pelas Organizações Não-Governamentais globais.

Colocar na mão das federações e dar o sinal verde não será suficiente, mesmo que a entidade fiscalize de perto. E Figo sabe bem como é difícil ver de perto tudo que acontece no mundo da bola.

Mesmo diante dessa plataforma, que merece ser melhor detalhada pelo ex-jogador, é fato também que sua candidatura é um alento. É um sopro de renovação, mas que não pode cair na tentação do populismo.

Propor, discutir, debater, rever, tudo isso faz parte em um período pré-eleitoral. Mas o que não faz parte é prejudicar a qualidade técnica do esporte, que já anda muito judiada. Com exceção das ligas alemã, inglesa e espanhola, o nível dos jogos mundo afora anda sofrível. E Figo sabe disso.

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