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Barcelona abre mão da Xavi do jogo!

Com 35 anos, o jogador deixa o futebol espanhol e se dirige ao Catar, tendo resgatado a competitividade dos meias habilidosos e ajudado a colocar a Espanha no patamar de seleção top.

Maurício Capela

21 de maio de 2015 | 16h07

Clássico, dono de rara visão de jogo e preciso no passe… Eis alguns adjetivos que podem classificar tranquilamente o futebol de Xavi Hernández. Campeoníssimo pelo Barcelona e pela Espanha, o meia colocou um ponto final em sua passagem pelo clube catalão nesta quinta-feira e anunciou sua ida para o Al-Sadd do Catar.

É claro que o desembarque no Catar guarda relações com a Copa do Mundo naquele país, marcada para 2022. Mas o ponto crucial do “sim” à proposta do mundo árabe passa primordialmente pela falta de espaço no Barça.

Com 35 anos, Xavi sentiu na pele, nesta temporada, a força do futebol praticado na Europa. Por lá, o jogo exige plena condição física para que o raciocínio possa ser tão rápido quanto os movimentos dentro de campo.

Mas o implacável tempo é apenas um detalhe na trajetória de um jogador que foi um dos protagonistas nas principais conquistas de Barcelona e Espanha. Na Eurocopa de 2008 e na Copa do Mundo de 2010, o jogador foi o motor do “tiki-taka” espanhol. E papel semelhante teve na conquista catalã da Liga dos Campeões de 2009, entre outras.

À Fifa, caberia um mea culpa. Afinal, o jogador jamais recebeu a tão cobiçada “Bola de Ouro”, mesmo tendo estado entre os três candidatos a melhores do planeta em 2009, 2010 e 2011. Bom, má sorte teve essa “Bola de Ouro” que nunca passou pelas mãos desse espanhol!

O fato é que Xavi deixa o Barcelona e a Espanha, com sentimento de dever cumprido. Primeiro, porque foi importante na colocação da Seleção entre as maiores do mundo. E depois porque personificou, em muitos jogos e momentos, o trabalho de valorização de posse de bola, troca de passes que Pep Guardiola imprimiu com êxito no Barça.

Hoje, entre os titulares catalães, é até difícil imaginar quem possa herdar o cetro de Xavi. Talvez o croata Rakitic ou o compatriota Iniesta, ainda que tenham estilo um tanto diferente em relação a ele.

Contudo, mesmo que ninguém se consolide nessa função, Xavi ao atuar tão bem pelo Barcelona e pela Espanha fez um grande favor ao futebol mundial. Traduziu na bola que meias habilidosos, com visão de jogo e ótimo passe, desde que estejam preparados fisicamente também, podem ser tão competitivos como aqueles que se limitam à marcação.

Xavi restabeleceu a ordem dos fatores, qual seja, primeiro o talento, depois o físico! Valeu, Xavi!

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