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Brasil, o incubador do futebol

Mesmo na menor janela da Europa, a que movimenta uma soma menor de recursos, o futebol brasileiro continua tendo dificuldades para resistir ao assédio de clubes de economias intermediárias europeias e o resultado é que se mantém intacto o papel de incubador de talentos.

Maurício Capela

01 Fevereiro 2017 | 14h19

Parece trocadilho, mas não é. É fato mesmo. A janela europeia atual de transferências de jogadores, a de janeiro, é mais fria, menor e não costuma ter grandes transações, quando se compara com o mercado em agosto, em pleno verão europeu. É na movimentação do meio do ano que os grandes clubes abrem os cofres e se planejam para toda uma temporada. Portanto, ter escapado ileso em janeiro não é lá um grande feito. É a regra, não é a exceção.

Mas mesmo assim, diante de um mercado morno, os clubes brasileiros custam para sobreviver ao assédio. Qualquer assédio! É como se o futebol verde-amarelo estivesse fadado a ser sempre a gestante da bola.

Muito embora as condições econômicas falem alto, é preciso notar que a desorganização financeira tem papel relevante nessa posição de “pires na mão”. O Ajax, por exemplo, talvez não tivesse tido a mesma desenvoltura em direção a David Neres, vendido por €12 milhões pelo São Paulo, acaso o Tricolor flanasse em condições financeiras normais, como sempre se comportou ao longo de sua história.

O Fluminense, por exemplo, balançou a cabeça negativamente para o mesmo Ajax, que teria ofertado uma boa quantia em dinheiro pelo atacante Richarlison, hoje na Seleção Sub-20.

A questão, portanto, não é nominal. Não se trata daquela ou de outra agremiação. A questão é estrutural. E os clubes brasileiros precisam de alguma maneira encontrar novas fórmulas que os permitam resistir bravamente a investidas em direção às jovens promessas. Como já mencionado, há a diferença econômica à mesa, evidente, mas existem caminhos alternativos também.

Um deles é valorizar de vez a marca do clube. Em outras palavras, combater a pirataria. Mas há mais por fazer. Explorar a enorme rede hoteleira, de serviços, de gastronomia existente no País. Turismo é outro canal a ser difundido.

Além disso, encarar de frente os direitos de televisão e dinamizar o potencial da arquibancada. O dinheiro dos ingressos não pode ocupar mais uma pequena parcela. É preciso ampliá-la mais e mais, com o objetivo de equilibrar as receitas e assim negociar melhor os diversos contratos das diversas fontes de renda.

É bem verdade que esse cenário já foi pior. Os clubes brasileiros já foram mais vulneráveis. Mas essa melhora não pode ser esporádica. É preciso ser contínua, objetiva, direta.

Caso contrário, o futebol no País continuará a assistir outros “David Neres” a se desenvolver na Europa, como se vê todos os anos. E o único contato com o Brasil se dará no momento em que o jovem talento vai vestir a camisa da Seleção. No mais, não sobra nada. Nem cultural, nem social! E o futebol ainda é uma das maiores expressões culturais e sociais do Brasil.

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