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Camisa 9!

Principais times europeus abrem mão de atacante de referência, ao passo que os artilheiros do Brasileirão são quase todos homens de área.

Maurício Capela

24 de outubro de 2014 | 15h47

A discussão é cada vez mais frequente… Afinal, em que nível está o futebol brasileiro? Longe? Perto? Nem lá, nem cá em relação às grandes ligas europeias? A resposta, claro, não é simples, mas vale o debate, principalmente quando nos debruçamos sobre alguns indicadores, como, por exemplo, o ranking de artilheiros do Campeonato Brasileiro de 2014.

Se pegarmos os cinco primeiros goleadores do Brasileirão, logo de cara, nota-se que os quatro primeiros são típicos atacantes “made in Brazil”. Jogadores que se metem entre os zagueiros, trombam, buscam colocação na área, mas carecem de melhor movimentação.

A saber, pela ordem: Henrique do Palmeiras, Barcos do Grêmio, Marcelo Moreno do Cruzeiro e Fred do Fluminense. Na quinta colocação, surge Ricardo Goulart do Cruzeiro, um atleta que de fixo na área adversária quase nada tem.

Nas principais ligas da Europa, são poucos os atacantes mais fixos na área do rival que têm espaço nos grandes clubes do Velho Continente. Até o Bayern de Munique, que era uma espécie de exceção, porque tinha o grande jogador croata Mario Mandzukic até outro dia, resolveu repassá-lo para o Atlético de Madrid.

Nem Real Madrid, Barcelona, PSG, Bayern, Manchester City ou Liverpool mantêm jogadores com essas características entre os 11 titulares. Talvez a exceção seja o Chelsea de José Mourinho, que tem na figura de Diego Costa um jogador mais presente na área adversária do que Ibrahimovic do PSG ou Benzema do Real Madrid… Talvez ainda Falcão Garcia no Manchester United  possa representar melhor esse tipo de atacante, que busca espaço na maior parte do jogo junto aos zagueiros.

O fato é que somente essa comparação entre os artilheiros do Campeonato Brasileiro e os principais times da Europa já mostra como há filosofia diferente entre um e outro. E quem vai dizer quem está certo ou errado? Na verdade, ninguém!

Errado seria um termo forte demais, mas também seria um equívoco ignorar os resultados conseguidos pelas seleções e clubes europeus tanto em Copas do Mundo como nos Mundiais de Clubes da Fifa. Essas competições têm demonstrado que quanto mais o time se movimenta em campo, melhor ele se sai no jogo. Um fato!

Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona, hoje, são legítimos representantes desse estilo de jogo. Chegam à área adversária com pelo menos quatro, muitas vezes cinco, jogadores em condição de finalizar ao gol do rival.

No Brasil, o único clube que vem mostrando essa intensidade é o Cruzeiro. O time de Marcelo de Oliveira movimenta-se constantemente e desembarca no gol do adversário com cinco jogadores muitas vezes, que têm reais condições de finalizar a gol!

Mesmo com toda essa mobilidade, o Cruzeiro ainda assim mescla a presença de um atacante típico de área, Marcelo Moreno ou Borges, com outro que atua em diagonal e mexe-se pelo meio de campo, como Goulart.

As campanhas eficientes deste Cruzeiro nos anos de 2013 e 2014 deveriam ser alvo de discussão entre os treinadores brasileiros. Não para exaltar o trabalho de Oliveira, mas sim para bom diálogo.

Um diálogo sobre mesclar o tradicional camisa 9 brasileiro com atleta de maior mobilidade. Um diálogo que poderia resultar em fórmula para reconstruir o poderio ofensivo do futebol pentacampeão, que hoje não assusta ninguém. Ninguém mesmo!

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