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Casa Portuguesa!

Pela primeira vez em 2015, em partida válida pela Copa do Brasil, a Portuguesa vai jogar no Estádio do Canindé e o adversário será o Ituano; um empate sem gols dará a vaga à próxima fase aos donos da casa.

Maurício Capela

28 de abril de 2015 | 15h25

Esqueça o jogo de logo mais. Coloque para escanteio o resultado e não dê a menor bola se a Portuguesa estará ou não na próxima fase da Copa do Brasil. Porque há algo mais importante a ser celebrado logo mais à noite na zona norte de São Paulo: a reabertura do Estádio Doutor Oswaldo Teixeira Duarte, o Canindé.

Inaugurado tal qual se conhece hoje em 1972, em um jogo festivo contra o Benfica, o Canindé é um daqueles espaços que a cidade abraçou. Impossível, por exemplo, se dirigir ao Aeroporto Internacional de Guarulhos e não torcer o pescoço para observá-lo.

Ali, no Monumental do Pari, como parte da torcida carinhosamente o chama, a Portuguesa de fato nasceu, cresceu e se transformou em um dos grandes clubes do País.

Se hoje a Lusa está à míngua, as razões são outras, porque o Canindé, o Monumental do Pari ou simplesmente a casa da Portuguesa nunca foi um problema, um entrave. Pelo contrário! O futuro da Associação Portuguesa de Desportos passa justamente pela revitalização do Canindé.

Em tempos de arenas multiuso, assentos numerados, banheiros com televisão por trás do espelho e cobertura que abriga das chuvas cada vez mais raras em São Paulo, o simples ato de tirar o cadeado do portão, empurrar para um lado a pesada chapa de ferro ou aço na cor verde e voltar a escutar um sotaque carregado dizer “boa noite!” a quem chega já é uma vitória da Lusa!

A Portuguesa e o Canindé são uma coisa só! Vendê-lo significa ignorar os azulejos portugueses carinhosamente colocados ali em um pedacinho do complexo da Lusa como forma de dizer “obrigadinho” a quem deu dinheiro, ferro, cimento e tijolo para erguê-lo.

Significa passar pela Marginal Tietê e não mais torcer o pescoço. Significa abrir mão de saborear os bolinhos de bacalhau, o tremoço, o caldo verde tão requisitado nos dias mais gelados.

Vender o Canindé significa entregar o orgulho maior de uma coletividade, porque engana-se quem pensa que o Canindé é feito de metros quadrados, tijolo, ferro e cimento. Há muito mais ali no Monumental do Pari!

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